O que é bom para mim também faz bem aos outros?

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Há uma diferença profunda entre aquilo que parece bom para nós e aquilo que, verdadeiramente, nos faz bem.

Muitas vezes, confundimos prazer com felicidade, satisfação imediata com realização e desejo com aquilo que realmente contribui para nossa evolução. Podemos acreditar que estamos fazendo algo por nós mesmos quando, na realidade, estamos apenas alimentando uma necessidade do ego, uma carência ou um desejo momentâneo.

Por isso, esta reflexão nos convida a olhar para dentro:

“Tudo o que é bom para mim, que me faz bem, verdadeiramente, não pode fazer mal ou prejudicar outrem e sim, de alguma forma, vai fazer bem a todos e a tudo que está ao meu redor.”

Essa frase traz consigo uma pergunta importante: aquilo que escolho para mim também contribui para o equilíbrio ao meu redor?

Nem tudo aquilo que desejamos nos faz bem

O desejo, por si só, não é uma prova de que algo seja bom para nós.

Podemos desejar possuir mais, receber reconhecimento, ter razão em uma discussão, controlar determinada situação ou até mesmo afastar alguém de nossa vida. Em determinados momentos, essas escolhas podem proporcionar uma sensação de alívio ou satisfação.

Mas satisfação não significa necessariamente bem-estar.

Quando observamos nossas escolhas com mais consciência, começamos a perceber que algumas delas deixam uma espécie de vazio depois que o prazer inicial desaparece.

É como se, depois de conseguir aquilo que queríamos, algo dentro de nós perguntasse:

“Era realmente disso que eu precisava?”

O autoconhecimento começa justamente quando passamos a fazer essa pergunta antes de agir.

O que verdadeiramente nos faz bem não precisa ferir ninguém

Existe uma espécie de coerência interior quando encontramos algo que realmente nos faz bem.

Quando uma escolha nasce de um lugar de consciência, ela não precisa depender da dor de outra pessoa para existir.

Isso não significa que nunca iremos desagradar alguém.

Às vezes, fazer o que é necessário para nossa vida significa dizer “não”, estabelecer limites, mudar de caminho ou deixar para trás determinadas relações e situações.

E alguém pode não gostar da nossa decisão.

Mas existe uma diferença enorme entre desagradar alguém e deliberadamente prejudicar alguém.

Cuidar de nós mesmos não significa abandonar o respeito pelo outro.

Pelo contrário.

Quanto mais conscientes nos tornamos de nossas próprias necessidades, mais aprendemos a respeitar também as necessidades daqueles que caminham conosco.

Fazer bem a si mesmo não é egoísmo

Durante muito tempo, muitas pessoas aprenderam que pensar em si mesmas era uma forma de egoísmo.

Por isso, sentem culpa quando descansam, quando recusam alguma coisa, quando escolhem outro caminho ou quando colocam limites.

Mas cuidar de si não significa necessariamente colocar-se acima dos outros.

Existe uma diferença entre amor-próprio e egoísmo.

O egoísmo pergunta:

“O que eu ganho com isso?”

A consciência pergunta:

“O que é melhor e mais verdadeiro para mim, sem que eu precise causar sofrimento desnecessário ao outro?”

Essa mudança de perspectiva transforma completamente nossas escolhas.

Quando cuidamos de nossa própria paz, por exemplo, não precisamos destruir a paz de ninguém.

Quando buscamos nossa felicidade, não precisamos diminuir a felicidade de outra pessoa.

Quando escolhemos crescer, não precisamos impedir que alguém também cresça.

O ego pode nos fazer acreditar que prejudicar é necessário

O ego frequentemente cria justificativas.

Ele pode dizer que precisamos competir para vencer, diminuir alguém para nos sentirmos superiores ou levar vantagem para garantir nosso próprio bem-estar.

Mas será que precisamos realmente prejudicar alguém para que nossa vida melhore?

Essa é uma pergunta poderosa.

Em muitas situações, percebemos que o conflito não estava na realidade externa, mas na necessidade interna de provar alguma coisa.

Precisamos provar que estamos certos.

Precisamos provar que somos melhores.

Precisamos provar que somos importantes.

Precisamos provar que merecemos mais.

E, quando percebemos isso, começamos a compreender que muitas batalhas poderiam simplesmente não ter sido travadas.

O verdadeiro bem-estar gera equilíbrio

Aquilo que verdadeiramente nos faz bem tende a produzir uma consequência diferente dentro de nós.

Traz mais tranquilidade.

Mais clareza.

Mais equilíbrio.

Mais disposição para compreender.

Mais capacidade de respeitar.

Isso não significa que uma escolha consciente será sempre fácil. Algumas das melhores decisões de nossa vida podem inicialmente provocar medo, insegurança ou tristeza.

Entretanto, existe uma diferença entre uma dificuldade necessária ao crescimento e uma escolha que depende da destruição de alguém para nos satisfazer.

Quando aquilo que escolhemos nos aproxima de quem realmente somos, naturalmente começamos a olhar para o mundo ao nosso redor de outra maneira.

E percebemos que não estamos separados de tudo aquilo que nos cerca.

Somos parte de uma realidade maior

Tudo o que fazemos produz algum tipo de consequência.

Uma palavra pode transformar o dia de alguém.

Um gesto de gentileza pode despertar outro gesto de gentileza.

Uma atitude agressiva pode desencadear outra agressividade.

Da mesma forma, aquilo que cultivamos dentro de nós também influencia a maneira como nos relacionamos com o mundo.

Quando cultivamos paz, tendemos a levar mais paz para os ambientes que frequentamos.

Quando cultivamos compreensão, passamos a compreender mais.

Quando cultivamos gratidão, começamos a perceber mais motivos para agradecer.

Por isso, fazer o bem a si mesmo não precisa ser uma experiência isolada.

Quando encontramos dentro de nós aquilo que verdadeiramente nos nutre, podemos compartilhar essa energia com tudo aquilo que está ao nosso redor.

Mas e quando precisamos escolher entre nós e o outro?

Essa talvez seja uma das questões mais difíceis.

Existem momentos em que nossas necessidades entram em conflito com as necessidades de outra pessoa.

Nessas situações, não existe necessariamente uma resposta simples.

Podemos precisar escolher.

Podemos precisar estabelecer limites.

Podemos precisar dizer não.

Podemos até precisar seguir um caminho que outra pessoa não compreenda.

A frase que inspira esta reflexão não significa que devemos satisfazer todos ao nosso redor para que possamos fazer aquilo que nos faz bem.

Ela aponta para algo mais profundo:

quando aquilo que escolhemos é verdadeiramente bom para nós, não precisamos construir nosso bem-estar sobre o sofrimento deliberado de outra pessoa.

Podemos buscar nosso caminho com respeito.

Podemos crescer sem diminuir.

Podemos partir sem destruir.

Podemos dizer não sem odiar.

Podemos cuidar de nós sem deixar de reconhecer o outro.

Como saber se algo realmente está fazendo bem?

Talvez possamos começar observando as consequências de nossas escolhas.

Antes de tomar uma decisão, podemos perguntar:

  • Isso me traz paz ou apenas satisfação momentânea?
  • Estou fazendo isso por consciência ou por necessidade de provar alguma coisa?
  • Essa escolha está de acordo com aquilo que realmente acredito?
  • Para conseguir o que quero, preciso prejudicar alguém?
  • Depois que a emoção passar, continuarei sentindo que essa foi uma boa escolha?
  • Essa decisão contribui para minha evolução ou apenas alimenta meu ego?

Essas perguntas não precisam ser respondidas imediatamente.

Às vezes, basta permanecer alguns minutos em silêncio e observar o que acontece dentro de nós.

O silêncio pode revelar coisas que a ansiedade tenta esconder.

O bem que começa em nós pode se expandir

Existe algo muito bonito quando compreendemos que cuidar de nós mesmos pode ser também uma forma de contribuir com o mundo.

Uma pessoa em equilíbrio tende a relacionar-se de maneira diferente.

Um indivíduo que aprende a respeitar seus próprios limites também começa a compreender melhor os limites dos outros.

Quem aprende a se perdoar pode desenvolver mais compaixão.

Quem aprende a cuidar de si pode compreender melhor a importância de cuidar de quem está ao seu redor.

É por isso que o verdadeiro autoconhecimento não nos torna indiferentes ao mundo.

Ele nos torna mais conscientes de nossa responsabilidade dentro dele.

Talvez seja essa a essência da frase:

Aquilo que verdadeiramente me faz bem não precisa fazer mal a ninguém.

E, quando encontramos esse lugar dentro de nós, o benefício deixa de ser exclusivamente individual.

Ele começa a se espalhar.

O que estamos alimentando dentro de nós?

Talvez a pergunta mais importante não seja simplesmente:

“Isso me faz bem?”

Mas:

“Que parte de mim está sendo alimentada por isso?”

Se é a paz, talvez estejamos diante de algo que merece ser cultivado.

Se é o amor, talvez exista algo verdadeiro ali.

Se é a compreensão, talvez estejamos crescendo.

Mas se é a necessidade de vingança, superioridade, controle ou reconhecimento constante, talvez seja necessário olhar um pouco mais profundamente.

Nem sempre aquilo que queremos é aquilo de que precisamos.

E nem sempre aquilo que nos proporciona prazer imediato contribui para nossa evolução.

O autoconhecimento consiste, em grande parte, nessa capacidade de diferenciar uma coisa da outra.

Quando o bem-estar se transforma em consciência

À medida que aprendemos a nos conhecer, nossas escolhas começam a mudar.

Já não buscamos apenas aquilo que nos proporciona prazer.

Começamos a buscar aquilo que possui significado.

Já não queremos apenas ganhar.

Queremos ganhar sem precisar destruir.

Já não queremos apenas ser felizes.

Queremos encontrar uma felicidade que possa coexistir com a felicidade daqueles que estão ao nosso redor.

E talvez seja justamente aí que percebamos uma das grandes verdades da vida:

não precisamos escolher entre fazer bem a nós mesmos e fazer bem ao mundo.

Quando existe consciência, essas duas coisas podem caminhar juntas.


Uma reflexão para levar consigo

Hoje, observe uma escolha que você está fazendo em sua vida.

Pergunte a si mesmo:

“Isso realmente me faz bem ou apenas satisfaz alguma necessidade momentânea?”

Depois pergunte:

“Para que isso me faça bem, preciso que outra pessoa seja prejudicada?”

Talvez as respostas tragam alguma surpresa.

Talvez você perceba que precisa mudar alguma coisa.

Talvez descubra que determinada escolha é mais verdadeira do que imaginava.

Ou talvez simplesmente compreenda que está no caminho certo.

O importante é não fugir da resposta.

Porque, quando temos coragem de olhar para dentro, começamos a descobrir quem realmente somos.

E aquilo que verdadeiramente faz bem ao nosso ser não precisa destruir aquilo que existe ao nosso redor.

Continue sua jornada de autoconhecimento

Se esta reflexão despertou algo dentro de você, não pare por aqui.

O autoconhecimento acontece aos poucos, através das perguntas que fazemos a nós mesmos, das experiências que vivemos e da disposição para enxergar aquilo que existe dentro de nós.

Continue explorando outros textos aqui no Encontre o Seu Eu Interior. Cada reflexão pode ser uma oportunidade para olhar para a vida por uma nova perspectiva e, quem sabe, encontrar dentro de si uma resposta que estava esperando para ser percebida.

Leia outro artigo, faça uma nova reflexão e continue sua jornada para dentro de si mesmo. 

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