Existe uma tendência natural de acreditarmos que aquilo que acontece ao nosso redor é responsável pela maneira como nos sentimos. Quando as coisas dão certo, ficamos felizes. Quando encontramos dificuldades, ficamos tristes, irritados ou desanimados. Quando alguém nos trata bem, sentimos paz. Quando alguém nos decepciona, acreditamos que essa pessoa foi responsável por retirar a nossa tranquilidade.
Mas será que a realidade funciona exatamente dessa maneira?
Talvez exista uma compreensão mais profunda sobre a vida: nós somos o núcleo da nossa própria experiência.
Isso não significa que podemos controlar tudo o que acontece conosco, nem que somos responsáveis por todas as circunstâncias que surgem em nosso caminho. Significa compreender que existe uma parte da realidade que depende da maneira como nos posicionamos diante dela.
O mundo externo pode até permanecer o mesmo. Entretanto, quando mudamos internamente, a maneira como percebemos, interpretamos e vivenciamos esse mundo também se transforma.
Somos o núcleo da nossa experiência
Imagine duas pessoas passando exatamente pela mesma situação.
Uma delas pode enxergar um problema, sentir medo e acreditar que tudo está dando errado.
A outra pode enxergar naquela mesma situação uma oportunidade de aprendizado, uma mudança necessária ou simplesmente uma experiência que precisa ser atravessada.
A circunstância é a mesma.
O que mudou foi o observador.
É por isso que nosso estado interior possui tanta importância. A realidade que experimentamos não é formada somente pelos acontecimentos externos, mas também pela consciência com a qual nos relacionamos com esses acontecimentos.
Somos como o centro de uma roda. A partir desse centro, nossas emoções, pensamentos, escolhas e atitudes se espalham para as diferentes áreas da nossa existência.
Quando o centro está em desequilíbrio, tudo parece desorganizado.
Quando encontramos equilíbrio dentro de nós, até aquilo que permanece difícil pode ser percebido de uma maneira diferente.
A frequência na qual estamos vibrando
Quando falamos em frequência ou vibração, podemos compreender essa ideia de uma maneira simples.
Nossos pensamentos influenciam nossas emoções.
Nossas emoções influenciam nossas atitudes.
Nossas atitudes influenciam nossas escolhas.
E nossas escolhas contribuem para construir as experiências que vivenciamos.
Uma pessoa que permanece constantemente alimentando pensamentos de medo, escassez, ressentimento e preocupação tende a interpretar a realidade através dessas mesmas lentes.
Tudo parece uma ameaça.
Tudo parece difícil.
Tudo parece estar contra ela.
Por outro lado, quando cultivamos pensamentos de confiança, gratidão, serenidade e consciência, começamos a perceber possibilidades que antes permaneciam escondidas pela nossa própria inquietação.
Não se trata simplesmente de pensar positivamente e imaginar que tudo acontecerá exatamente como desejamos.
A transformação é muito mais profunda.
Trata-se de transformar a maneira como existimos diante da vida.
Não podemos controlar o mundo, mas podemos transformar nossa relação com ele
É importante compreender essa diferença.
Nem tudo o que acontece em nossa vida está sob nosso controle.
Existem perdas, mudanças, despedidas, imprevistos e acontecimentos que simplesmente fazem parte da experiência humana.
Não seria justo dizer a alguém que passou por uma dificuldade que ela simplesmente deveria "vibrar diferente".
A espiritualidade não precisa negar a realidade.
Ela pode nos ensinar justamente a atravessá-la com mais consciência.
Podemos não escolher o acontecimento, mas podemos trabalhar a maneira como reagimos a ele.
Podemos não controlar as atitudes de outra pessoa, mas podemos escolher quanto tempo permaneceremos presos àquilo que ela fez.
Podemos não impedir determinada mudança, mas podemos decidir se enfrentaremos essa mudança com resistência permanente ou se procuraremos compreender o que ela está tentando nos ensinar.
É nesse espaço entre o acontecimento e a nossa reação que existe uma das maiores possibilidades de transformação.
Quando mudamos por dentro, nossa percepção muda por fora
Muitas vezes desejamos que alguma coisa em nossa vida se transforme.
Queremos uma nova oportunidade.
Desejamos relacionamentos melhores.
Queremos mais tranquilidade.
Gostaríamos de encontrar um novo caminho profissional.
Desejamos que determinadas pessoas mudem.
Entretanto, talvez a primeira pergunta não devesse ser:
"O que precisa mudar ao meu redor?"
Talvez devêssemos perguntar:
"O que precisa mudar dentro de mim para que eu possa viver essa realidade de uma maneira diferente?"
Essa pergunta desloca o foco daquilo que não controlamos para aquilo que realmente podemos transformar.
Quando modificamos nosso interior, nossas escolhas começam a mudar.
Quando nossas escolhas mudam, nossos comportamentos também mudam.
E quando nossos comportamentos mudam, novas possibilidades começam a surgir.
É assim que uma transformação interior pode, gradualmente, produzir mudanças exteriores.
A vida também funciona como um espelho
Podemos imaginar a vida como um grande espelho.
O espelho não cria aquilo que somos, apenas reflete.
Quando estamos dominados pelo medo, podemos enxergar ameaças em situações que antes pareceriam neutras.
Quando estamos tomados pelo ressentimento, podemos interpretar determinadas palavras como provocações.
Quando estamos em paz, conseguimos enxergar nuances que anteriormente não percebíamos.
Por isso, às vezes, não é o mundo que mudou.
Fomos nós que mudamos a maneira de olhar para ele.
E essa mudança pode ser suficiente para alterar completamente a nossa experiência.
Uma mesma pessoa pode continuar diante de nós, mas já não despertar a mesma reação.
Um mesmo problema pode continuar existindo, mas já não possuir o mesmo poder sobre nossa mente.
Uma mesma dificuldade pode permanecer presente, mas agora conseguimos enxergar nela um caminho de crescimento.
Cuidar do nosso estado de espírito é uma responsabilidade
Se somos o núcleo da nossa experiência, precisamos observar com mais atenção aquilo que estamos alimentando dentro de nós.
Que pensamentos estamos repetindo diariamente?
Quais emoções estamos cultivando?
Estamos constantemente falando sobre aquilo que nos falta?
Estamos alimentando mágoas antigas?
Estamos vivendo presos ao passado?
Estamos antecipando sofrimentos que talvez nunca aconteçam?
Ou estamos aprendendo a permanecer presentes?
A consciência começa justamente pela observação.
Não precisamos mudar tudo de uma vez.
Podemos simplesmente começar percebendo.
Perceber quando um pensamento negativo surge.
Perceber quando uma emoção começa a dominar nosso comportamento.
Perceber quando estamos reagindo automaticamente.
E, a partir dessa percepção, escolher conscientemente uma resposta diferente.
Esse pequeno espaço de consciência pode ser o início de uma grande transformação.
Qual frequência você está alimentando?
Talvez essa seja uma pergunta que mereça ser feita todos os dias.
Não apenas quando estamos passando por dificuldades, mas também quando tudo parece estar bem.
Porque aquilo que cultivamos internamente participa da maneira como construímos nossa experiência.
Se alimentamos constantemente o medo, fortalecemos o medo.
Se alimentamos a raiva, fortalecemos a raiva.
Se alimentamos a gratidão, fortalecemos a capacidade de reconhecer aquilo que já existe de bom em nossa vida.
Se alimentamos a confiança, desenvolvemos maior capacidade de atravessar as incertezas.
A mudança começa dentro, mas não termina dentro.
Ela se manifesta nas nossas palavras, nos nossos relacionamentos, nas nossas escolhas e na maneira como caminhamos pela vida.
Você não é espectador da própria vida
Talvez uma das maiores descobertas do autoconhecimento seja perceber que não estamos simplesmente assistindo à nossa existência acontecer.
Participamos dela.
Somos influenciados pelo mundo, mas também influenciamos o mundo ao nosso redor.
Nossa presença modifica ambientes.
Nossa maneira de conversar modifica relacionamentos.
Nossos pensamentos influenciam nossas decisões.
Nossas decisões modificam nossos caminhos.
E nossos caminhos, pouco a pouco, constroem nossa história.
Por isso, cuidar do nosso mundo interior não é fugir da realidade.
É assumir uma participação mais consciente na própria vida.
Uma reflexão para hoje
Antes de tentar modificar alguma coisa ao seu redor, experimente permanecer alguns minutos em silêncio e observar o que está acontecendo dentro de você.
Pergunte a si mesmo:
Como estou me sentindo neste momento?
Que pensamentos tenho alimentado?
Que emoções estão determinando minhas atitudes?
Se eu mudasse meu estado interior, será que enxergaria minha vida de outra maneira?
Talvez você descubra que algumas mudanças que tanto procura no mundo exterior começam, na verdade, em um lugar muito mais próximo: dentro de você.
Somos o núcleo da nossa vida.
E quanto mais conscientes nos tornamos desse núcleo, mais responsáveis nos tornamos pela maneira como escolhemos viver.
A realidade nem sempre poderá ser modificada de acordo com a nossa vontade.
Mas podemos transformar o olhar com o qual encontramos essa realidade.
E, muitas vezes, quando o nosso olhar muda, o mundo que percebemos também muda.
Continue sua jornada de autoconhecimento
Se esta reflexão despertou algo dentro de você, não pare por aqui.
O autoconhecimento acontece justamente quando começamos a questionar aquilo que antes aceitávamos automaticamente. Cada reflexão pode abrir uma nova porta para compreendermos nossos pensamentos, nossas emoções, nossos comportamentos e o verdadeiro propósito da nossa existência.
Continue navegando pelo Encontre o Seu Eu Interior e permita-se conhecer outras reflexões que podem contribuir para a sua jornada de autoconhecimento e evolução consciencial.
Talvez o próximo texto que você encontrar seja justamente aquele que precisava ler hoje.
Continue sua jornada. Continue buscando. Continue olhando para dentro.
Porque, muitas vezes, é quando encontramos o nosso próprio interior que começamos verdadeiramente a compreender o mundo ao nosso redor.

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