Ser cético às Leis Naturais não altera ou não impede sua atuação

Imagem de Frauke Riether do Pixabay


 Vivemos em uma época em que temos acesso a uma quantidade enorme de informações. Podemos pesquisar praticamente qualquer assunto, conhecer diferentes opiniões e questionar aquilo que não compreendemos. O questionamento, por si só, é saudável. Afinal, não precisamos acreditar cegamente em tudo aquilo que nos é apresentado.

Mas existe uma diferença entre questionar algo e acreditar que aquilo deixa de existir simplesmente porque não acreditamos.

As Leis Naturais não dependem da nossa opinião, da nossa crença ou do nosso conhecimento para atuar. Elas simplesmente fazem parte da realidade.

Podemos não compreender completamente como determinadas coisas funcionam, podemos duvidar de sua existência ou até mesmo rejeitar determinada ideia. Ainda assim, isso não significa que seus efeitos deixem de acontecer.

O que são as Leis Naturais?

Quando falamos em Leis Naturais, podemos pensar nos princípios que regem a existência e que independem da vontade humana.

A gravidade é um exemplo simples. Uma pessoa pode dizer que não acredita na gravidade. Pode considerá-la uma teoria equivocada ou simplesmente ignorar sua existência. Entretanto, ao subir em um lugar alto e saltar, descobrirá que sua opinião não modifica a maneira como a natureza funciona.

O mesmo acontece com inúmeras outras leis e princípios presentes na natureza.

O Sol nasce e se põe independentemente de acreditarmos nisso. A água segue seu curso de acordo com as condições do terreno. O corpo humano reage aos alimentos que recebe, ao descanso que tem e às agressões a que é submetido, independentemente daquilo que pensamos sobre esses processos.

Isso nos leva a uma reflexão interessante:

Será que aquilo que não compreendemos deixa de existir, ou apenas revela os limites do nosso conhecimento?

Não acreditar não significa impedir

Muitas vezes confundimos nossa percepção da realidade com a própria realidade.

Se algo não conseguimos perceber diretamente, podemos concluir que não existe. Se uma experiência não faz parte da nossa realidade pessoal, podemos considerar que ela não acontece. Se determinada explicação não corresponde ao nosso entendimento atual, podemos simplesmente rejeitá-la.

Mas a realidade não precisa da nossa autorização para continuar sendo realidade.

Durante grande parte da história humana, diversos fenômenos naturais eram desconhecidos. Isso não significa que não acontecessem. Eles simplesmente ainda não haviam sido compreendidos.

Antes de conhecermos determinados microrganismos, eles já estavam presentes. Antes de entendermos muitas das leis da física, elas já atuavam. Antes de compreendermos determinados processos do nosso próprio organismo, eles já aconteciam dentro de nós.

O conhecimento humano descobre as leis; não é ele que as cria.

Essa percepção também pode ser levada para o campo espiritual.

E quando falamos das Leis Espirituais?

Quando entramos no universo da espiritualidade, encontramos conceitos que não podem ser observados da mesma maneira que fenômenos físicos.

Leis como causa e efeito, responsabilidade sobre nossas escolhas, aprendizado, evolução e consequências de nossas atitudes fazem parte de diferentes tradições espirituais e filosóficas.

Não precisamos transformar essas ideias em dogmas.

Podemos estudá-las, questioná-las, refletir sobre elas e observar como se relacionam com nossa própria experiência.

O importante é compreender que a dúvida de uma pessoa não necessariamente invalida aquilo que ela ainda não consegue compreender.

Talvez algumas experiências da vida tenham justamente a função de ampliar nossa percepção sobre aquilo que antes não conseguíamos enxergar.

A natureza não funciona de acordo com nossas crenças

Imagine alguém que não acredita que uma planta precise de água.

Sua descrença não fará a planta sobreviver sem água.

Ela continuará submetida às condições naturais necessárias à sua existência.

Da mesma maneira, podemos ignorar determinadas consequências das nossas escolhas, mas isso não significa que elas desapareçam.

Nossas palavras podem produzir efeitos nos outros. Nossos pensamentos podem influenciar nossas atitudes. Nossos hábitos podem construir determinados resultados ao longo do tempo. Nossas escolhas podem aproximar-nos ou afastar-nos de determinadas experiências.

Não precisamos necessariamente chamar isso de uma Lei Espiritual para perceber que existe uma relação entre aquilo que fazemos e aquilo que vivenciamos.

A grande questão talvez não seja “eu acredito ou não acredito?”, mas:

“O que posso aprender observando a realidade e as consequências das minhas próprias escolhas?”

O ceticismo também pode ser saudável

É importante deixar claro que ser cético não é necessariamente algo negativo.

Questionar é uma das formas pelas quais ampliamos nosso conhecimento.

O problema começa quando o ceticismo deixa de ser uma ferramenta de investigação e passa a ser uma conclusão antecipada.

Existe uma grande diferença entre dizer:

“Eu ainda não compreendo isso.”

e dizer:

“Isso não existe porque eu não compreendo.”

A primeira afirmação mantém a porta aberta para o aprendizado.

A segunda fecha a possibilidade de descoberta.

Talvez possamos encontrar um equilíbrio entre fé cega e descrença absoluta: a disposição de investigar, experimentar, observar e tirar nossas próprias conclusões.

Talvez não precisemos acreditar em tudo

A espiritualidade não precisa significar acreditar em qualquer coisa que nos seja apresentada.

Pelo contrário.

Podemos desenvolver uma espiritualidade mais consciente quando aprendemos a questionar, estudar e observar.

Não precisamos aceitar uma ideia simplesmente porque alguém disse que ela é verdadeira.

Mas também não precisamos rejeitá-la simplesmente porque ela não se encaixa naquilo que conhecemos hoje.

Podemos dizer:

“Não sei. Vou observar.”

Essa talvez seja uma das posições mais honestas que podemos assumir diante daquilo que ainda não compreendemos.

A vida pode ser uma grande oportunidade de observação

Se acreditamos que existem Leis Naturais ou espirituais atuando sobre nossa existência, podemos começar a observá-las na própria vida.

Como nossas escolhas interferem nos resultados?

Como determinados comportamentos se repetem?

Por que algumas situações parecem voltar até que aprendamos algo com elas?

O que acontece quando agimos movidos pelo medo, pelo orgulho ou pelo ego?

E o que acontece quando escolhemos agir com consciência, responsabilidade, respeito e amor?

Não precisamos encontrar respostas imediatas.

Podemos simplesmente começar a observar.

Talvez a própria experiência seja uma das maiores fontes de aprendizado que temos.

Aquilo que não vemos também pode produzir efeitos

Existem inúmeras coisas que não conseguimos enxergar diretamente e que, ainda assim, reconhecemos pelos seus efeitos.

Não vemos o vento, mas vemos as folhas se movimentarem.

Não vemos o pensamento de outra pessoa, mas percebemos suas palavras e atitudes.

Não vemos o tempo passar, mas observamos as transformações que ele produz.

Essa reflexão não serve para provar qualquer fenômeno espiritual específico. Serve apenas para nos lembrar de uma coisa:

Nossa capacidade de perceber a realidade é limitada.

E reconhecer nossos limites não significa abandonar o pensamento crítico. Significa, justamente, torná-lo mais humilde.

O que muda quando deixamos de lutar contra aquilo que não compreendemos?

Talvez uma grande transformação aconteça quando deixamos de gastar energia tentando provar que determinada realidade não existe e passamos a perguntar o que podemos aprender com ela.

Não precisamos concordar com tudo.

Não precisamos acreditar em tudo.

Não precisamos abandonar nossa razão.

Podemos simplesmente permanecer abertos.

Afinal, se uma Lei Natural realmente existe, nossa descrença não irá interrompê-la.

E se aquilo em que acreditamos estiver errado, nossa disposição para questionar poderá nos ajudar a perceber isso.

Em ambos os casos, a verdade não precisa da nossa aprovação.

Ela simplesmente é.

Uma reflexão para levar consigo

Talvez a frase “Ser cético às Leis Naturais não altera ou não impede sua atuação” possa ser compreendida de uma maneira muito simples:

Não somos nós que determinamos como a realidade deve funcionar apenas porque acreditamos ou deixamos de acreditar nela.

Nossa tarefa pode ser outra.

Observar.

Questionar.

Aprender.

Experimentar.

Reconhecer nossas limitações.

E, principalmente, permanecer abertos à possibilidade de que a existência seja muito maior do que aquilo que conseguimos compreender neste momento.

Talvez a evolução interior comece justamente quando deixamos de acreditar que já sabemos todas as respostas.

E você, tem permitido que suas crenças sejam questionadas?

Existem coisas que você rejeita simplesmente porque não consegue compreendê-las?

Ou consegue manter a curiosidade necessária para dizer: “Eu ainda não sei, mas estou disposto a observar e aprender”?

Essa postura pode transformar nossa maneira de enxergar a vida.

Continue sua jornada de autoconhecimento. No Encontre o Seu Eu Interior, você encontrará outros textos para refletir sobre espiritualidade, consciência, escolhas, ego, evolução e os diferentes aspectos que fazem parte da nossa experiência de vida.

Não pare neste artigo. Continue lendo outros conteúdos do blog e permita-se encontrar novas perspectivas para aquilo que você já acreditava conhecer.

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