É tão bom quando aprendemos a viver a vida com tranquilidade, serenidade e presença. Não significa deixar de acompanhar o mundo, abandonar a tecnologia ou viver distante de tudo o que acontece ao nosso redor. Significa, principalmente, aprender a escolher aquilo que realmente merece entrar em nosso mundo interior.
A tecnologia trouxe possibilidades extraordinárias. Hoje podemos aprender, trabalhar, conversar com alguém que está do outro lado do planeta, conhecer diferentes culturas e ter acesso a uma quantidade de conhecimento que seria inimaginável há poucas décadas.
Mas existe um outro lado dessa facilidade.
Nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade para simplesmente parar, silenciar e perceber o que realmente faz sentido para nós.
Vivemos cercados por informações
Todos os dias somos expostos a milhares de informações.
Notícias, vídeos, opiniões, propagandas, redes sociais, mensagens, comentários, tendências, comparações, conselhos, críticas e inúmeras outras formas de conteúdo chegam até nós praticamente sem interrupção.
O problema não está necessariamente na informação.
O problema começa quando não temos tempo para processar aquilo que recebemos.
É como se nossa mente estivesse constantemente com a porta aberta. Tudo entra.
E, quando tudo entra, torna-se cada vez mais difícil perceber o que realmente queremos manter.
A pessoa lê alguma coisa e imediatamente recebe outra. Assiste a um vídeo e, antes mesmo de refletir sobre ele, outro já aparece. Escuta uma opinião e, poucos segundos depois, encontra uma opinião completamente diferente.
Pouco a pouco, podemos começar a viver mais reagindo ao que vem de fora do que percebendo aquilo que nasce dentro de nós.
A informação de fora precisa encontrar um espaço dentro de nós
Toda informação que chega até nós deveria, de alguma maneira, passar por um processo de discernimento.
Isso combina comigo?
Isso faz sentido para a minha vida?
Eu realmente acredito nisso?
Quero experimentar isso?
Essa ideia está de acordo com aquilo que sinto?
Ou simplesmente estou aceitando essa informação porque milhares de pessoas estão fazendo o mesmo?
Essa reflexão é importante porque nem tudo aquilo que chega até nós precisa permanecer em nós.
Podemos conhecer uma ideia sem adotá-la.
Podemos ouvir uma opinião sem transformá-la em nossa verdade.
Podemos admirar alguém sem querer ser aquela pessoa.
Podemos conhecer um estilo de vida sem precisar vivê-lo.
Podemos assistir a uma história sem acreditar que a nossa vida deveria ser igual àquela.
Existe uma grande diferença entre receber uma informação e incorporar uma informação.
Quando deixamos de escolher, começamos a acumular
Imagine uma casa na qual todas as pessoas que passam pela rua pudessem entrar e deixar algum objeto.
No começo, talvez não houvesse problema.
Mas, depois de algum tempo, a casa estaria cheia de coisas que não foram escolhidas por seus moradores.
Haveria objetos úteis, objetos inúteis, objetos quebrados, objetos bonitos, objetos que pertencem a outras pessoas e até coisas que ninguém saberia explicar por que estão ali.
A mente pode funcionar de maneira semelhante.
Quando não desenvolvemos o hábito de selecionar aquilo que recebemos, começamos a acumular pensamentos, crenças, desejos e padrões que talvez nem sejam verdadeiramente nossos.
E isso pode acontecer de maneira tão silenciosa que nem percebemos.
O perigo de viver segundo aquilo que vem de fora
Talvez uma das consequências mais delicadas desse excesso de informação seja a dificuldade de distinguir quem somos daquilo que aprendemos a ser.
Desde cedo recebemos inúmeras mensagens sobre como deveríamos viver.
O que significa ter sucesso.
Como devemos nos vestir.
O que devemos comprar.
Qual profissão devemos escolher.
Como deve ser nosso relacionamento.
Quanto dinheiro deveríamos ganhar.
Como nosso corpo deveria ser.
Que aparência deveríamos ter.
Onde deveríamos viajar.
O que deveríamos possuir.
E, atualmente, até como deveríamos nos sentir.
Com tantas referências externas, podemos começar a construir uma vida baseada em expectativas que não nasceram necessariamente de nossa própria consciência.
Então surge uma pergunta muito importante:
Quanto daquilo que você deseja realmente nasceu em você?
A comparação pode enfraquecer a autoestima
As redes sociais tornaram essa questão ainda mais evidente.
Frequentemente vemos pessoas mostrando momentos felizes, conquistas, viagens, casas, relacionamentos, corpos, profissões e experiências aparentemente perfeitas.
Mesmo sabendo que aquilo é apenas um recorte da realidade, nossa mente pode começar a comparar.
"Eu deveria estar assim."
"Minha vida deveria ser diferente."
"Eu deveria ter conseguido mais."
"Por que todo mundo parece estar avançando e eu não?"
Pouco a pouco, podemos começar a olhar para nossa própria vida utilizando como referência a vida de outras pessoas.
E talvez esse seja um dos caminhos mais rápidos para nos afastarmos de nós mesmos.
A autoestima não precisa nascer da comparação.
Ela pode nascer do reconhecimento de quem somos, das nossas características, dos nossos limites, das nossas experiências e também do nosso próprio caminho.
Nem tudo o que entra precisa ficar
Existe uma habilidade muito importante para quem deseja viver com mais serenidade: aprender a selecionar.
Selecionar não significa rejeitar o mundo.
Significa escolher conscientemente aquilo que merece nossa atenção.
Você não precisa acompanhar todas as notícias.
Não precisa conhecer todas as tendências.
Não precisa responder imediatamente a todas as mensagens.
Não precisa assistir a todos os vídeos.
Não precisa ter opinião sobre todos os assuntos.
Não precisa seguir todas as pessoas.
E, principalmente, não precisa transformar toda informação recebida em uma verdade pessoal.
Às vezes, a serenidade começa justamente quando percebemos que não precisamos saber de tudo.
O silêncio também é uma forma de conhecimento
Estamos tão acostumados a buscar respostas fora que podemos nos esquecer de olhar para dentro.
Quando surge uma dúvida, pesquisamos.
Quando sentimos insegurança, procuramos opiniões.
Quando não sabemos o que fazer, perguntamos aos outros.
Quando queremos tomar uma decisão, buscamos inúmeras referências.
É claro que informações externas podem ser extremamente úteis.
Mas existe um momento em que precisamos parar de procurar respostas e começar a escutar aquilo que sentimos.
O silêncio permite que algumas coisas se organizem.
Depois de tantas informações externas, talvez seja necessário criar um espaço interno para perceber:
O que realmente penso?
O que realmente sinto?
O que realmente quero?
O que ainda faz sentido para mim?
O que estou carregando apenas porque um dia alguém me disse que deveria carregar?
Recuperar a autenticidade é um processo
Ser autêntico não significa rejeitar tudo aquilo que aprendemos.
Afinal, somos também resultado de nossas experiências, relações, aprendizados e conhecimentos.
A questão não é eliminar as influências externas.
É tomar consciência delas.
Podemos olhar para tudo aquilo que recebemos ao longo da vida e começar a separar o que realmente nos representa daquilo que simplesmente foi incorporado sem reflexão.
Algumas ideias continuarão conosco porque fazem sentido.
Outras poderão ser transformadas.
Algumas precisarão ser abandonadas.
E talvez outras simplesmente possam ser deixadas para trás, sem culpa.
Esse processo é uma forma profunda de autoconhecimento.
Precisamos voltar a perguntar: "Isso é meu?"
Essa pergunta aparentemente simples pode se tornar uma poderosa ferramenta de reflexão.
Quando surgir um medo, pergunte:
Esse medo é realmente meu ou aprendi a ter medo disso?
Quando surgir uma cobrança:
Essa cobrança vem de mim ou estou tentando corresponder às expectativas de alguém?
Quando surgir um desejo:
Eu realmente quero isso ou aprendi que deveria querer?
Quando surgir uma necessidade de aprovação:
Por que preciso que os outros reconheçam aquilo que faço?
Essas perguntas não precisam ser respondidas imediatamente.
Elas podem simplesmente permanecer conosco por algum tempo.
Às vezes, o autoconhecimento não acontece quando encontramos rapidamente uma resposta, mas quando começamos a fazer perguntas que nunca havíamos feito.
A tecnologia não precisa ser a inimiga
É importante compreender que o problema não está necessariamente na tecnologia.
A tecnologia é uma ferramenta.
Ela pode ampliar nosso conhecimento, aproximar pessoas, facilitar nossa vida e oferecer oportunidades extraordinárias.
O desafio está em permitir que a ferramenta passe a controlar nossa atenção, nossos pensamentos e até nossa percepção de quem somos.
Podemos utilizar a tecnologia sem permitir que ela ocupe todos os espaços da nossa consciência.
Podemos estar conectados sem deixar de estar presentes.
Podemos consumir informação sem nos transformar em depósitos de informação.
E podemos utilizar as redes sociais sem permitir que elas determinem o nosso valor.
Talvez a verdadeira liberdade esteja justamente em conseguir utilizar a tecnologia sem permitir que ela utilize a nossa mente.
Menos informação e mais consciência
Talvez não precisemos de mais informação.
Talvez precisemos de mais consciência sobre aquilo que já recebemos.
Precisamos de momentos em que nada esteja acontecendo.
Momentos sem notificações.
Sem vídeos.
Sem opiniões.
Sem comparações.
Sem necessidade de responder.
Momentos simplesmente nossos.
É nesse espaço que podemos começar a perceber aquilo que o excesso de estímulos muitas vezes encobre.
A nossa própria voz.
Nossos sentimentos.
Nossos desejos.
Nossos limites.
Nossa intuição.
Nossa essência.
A tranquilidade pode começar com uma escolha
Aprender a viver com serenidade não significa fugir do mundo.
Significa aprender a estar no mundo sem permitir que tudo aquilo que existe nele determine quem somos.
Talvez seja necessário diminuir o volume das vozes externas para conseguirmos ouvir novamente a nossa própria voz.
Talvez seja necessário consumir menos e refletir mais.
Comparar menos e sentir mais.
Reagir menos e observar mais.
Buscar menos respostas fora e começar a investigar aquilo que acontece dentro.
Porque, quando conseguimos separar aquilo que realmente somos daquilo que apenas incorporamos ao longo do caminho, alguma coisa começa a mudar.
A mente fica mais leve.
As escolhas ficam mais conscientes.
A vida começa a parecer mais nossa.
E, pouco a pouco, recuperamos algo que talvez estivesse escondido debaixo de tantas informações:
a nossa autenticidade.
E você, quanto de você ainda está aí dentro?
Talvez esta seja uma boa pergunta para levar consigo hoje.
Pare por alguns minutos.
Afaste o celular.
Respire.
Observe seus pensamentos.
E pergunte a si mesmo:
"Daquilo que penso, desejo e acredito, o que realmente nasceu em mim?"
Não tenha pressa para responder.
Talvez algumas respostas apareçam imediatamente.
Outras poderão surgir somente depois de algum tempo.
O importante é começar a olhar para dentro.
Porque, quando deixamos de simplesmente absorver o mundo e começamos a escolher conscientemente aquilo que permitimos permanecer em nós, iniciamos uma jornada de volta para quem realmente somos.
E talvez seja justamente essa jornada interior que nos ensine uma das coisas mais importantes da vida:
não precisamos carregar tudo aquilo que encontramos pelo caminho.
Se este texto despertou alguma reflexão em você, continue sua jornada pelo Encontre o Seu Eu Interior. Existem outros artigos aqui no blog que podem ajudá-lo a compreender melhor seus pensamentos, sentimentos, escolhas, relacionamentos e o caminho do autoconhecimento.
Permita-se continuar lendo, refletindo e, principalmente, olhando para dentro.
Às vezes, uma simples reflexão pode abrir uma porta que estava fechada dentro de nós.

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