Quando nos sentimos desamparados, talvez estejamos apenas deixando de ouvir a nossa intuição

 

Algumas vezes nos sentimos desamparados

Existem momentos na vida em que parece que estamos completamente sozinhos.

As respostas não aparecem, as pessoas que gostaríamos que estivessem ao nosso lado não estão, os caminhos parecem confusos e aquilo que antes nos dava segurança deixa de fazer sentido.

Nesses momentos, é natural sentirmos medo, insegurança e até desamparo.

Mas talvez exista uma maneira diferente de olhar para essas situações.

Algumas vezes nos sentimos desamparados, mas isso não significa que estejamos realmente desamparados.

Talvez o que esteja acontecendo seja que estamos procurando respostas no lugar errado.

Estamos tão acostumados a ouvir o mundo físico, as opiniões das pessoas, as circunstâncias externas e aquilo que os nossos olhos conseguem enxergar que acabamos nos esquecendo de uma importante fonte de orientação que existe dentro de nós: a nossa intuição.

Estamos acostumados a ouvir o mundo exterior

Desde muito cedo aprendemos a olhar para fora.

Perguntamos aos nossos pais o que devemos fazer. Depois, aos professores. Mais tarde, aos amigos, aos parceiros, aos profissionais, às pessoas que admiramos e, cada vez mais, às opiniões que encontramos no mundo.

Isso não é necessariamente ruim.

Vivemos em sociedade e precisamos aprender com outras pessoas. A experiência daqueles que caminharam antes de nós pode ser extremamente valiosa.

O problema começa quando deixamos de ouvir a nossa própria percepção porque acreditamos que o mundo exterior sempre sabe mais do que nós.

Passamos a procurar respostas para praticamente tudo:

"Será que devo fazer isso?"

"Será que esse é o caminho certo?"

"Será que devo continuar?"

"Será que devo desistir?"

"Será que essa pessoa é realmente boa para mim?"

E, muitas vezes, antes mesmo de procurarmos a resposta dentro de nós, já estamos perguntando para alguém.

É nesse momento que podemos nos afastar da nossa própria essência.

O grande erro é acreditar apenas naquilo que podemos ver

Vivemos em um mundo físico e, por isso, é natural que os nossos sentidos tenham grande influência sobre as nossas decisões.

Vemos, ouvimos, tocamos e analisamos aquilo que acontece ao nosso redor.

Entretanto, será que tudo aquilo que é importante na nossa existência pode ser percebido pelos nossos cinco sentidos?

Não conseguimos enxergar o amor.

Não conseguimos tocar uma lembrança.

Não conseguimos colocar a esperança sobre uma mesa e observá-la.

Não conseguimos medir a saudade com uma régua.

Ainda assim, sabemos que essas coisas existem.

Talvez a intuição também pertença a esse universo de percepções que não dependem exclusivamente dos sentidos físicos.

Ela pode surgir como uma sensação, um pensamento inesperado, uma percepção silenciosa ou aquela impressão difícil de explicar de que devemos seguir determinado caminho.

E talvez seja justamente por ser difícil de explicar que tantas vezes a ignoramos.

A intuição não costuma gritar

Uma das características mais interessantes da intuição é que ela geralmente não precisa fazer barulho.

Ela pode aparecer silenciosamente.

Às vezes, é aquela sensação de que alguma coisa não está certa, mesmo quando aparentemente tudo está bem.

Em outras situações, é uma certeza tranquila de que devemos fazer determinada coisa, mesmo sem conseguir explicar racionalmente o motivo.

O problema é que estamos acostumados ao barulho.

O mundo exterior fala o tempo todo.

As pessoas opinam.

As redes sociais sugerem.

As notícias assustam.

A sociedade estabelece padrões.

A família possui expectativas.

E o nosso próprio pensamento pode produzir milhares de questionamentos.

No meio de tudo isso, uma percepção silenciosa pode facilmente passar despercebida.

Por isso, talvez uma das formas de desenvolver a intuição seja justamente aprender a silenciar um pouco o excesso de informações externas.

Quando estamos desamparados, podemos olhar para dentro

É justamente nos momentos de maior insegurança que podemos aprender a confiar mais em nós mesmos.

Isso não significa ignorar a realidade ou deixar de buscar ajuda quando necessário.

Significa compreender que nem todas as respostas precisam vir de fora.

Quando tudo parece confuso, talvez possamos parar por alguns instantes.

Respirar.

Diminuir o excesso de pensamentos.

Observar aquilo que estamos sentindo.

E perguntar silenciosamente:

"O que a minha intuição está tentando me mostrar?"

Talvez a resposta não venha imediatamente.

Talvez seja necessário esperar.

Talvez ela apareça durante uma caminhada, enquanto estamos tomando banho, antes de dormir ou simplesmente em um momento de tranquilidade.

Muitas vezes, aquilo que não conseguimos perceber quando estamos desesperados torna-se evidente quando conseguimos aquietar a mente.

Confiar na intuição também exige discernimento

Confiar na intuição não significa acreditar que todo pensamento que surge em nossa mente seja uma mensagem intuitiva.

Essa diferença é muito importante.

Podemos confundir intuição com medo, ansiedade, desejo, expectativa ou até mesmo com aquilo que gostaríamos que acontecesse.

Por isso, desenvolver a intuição também envolve autoconhecimento.

Quanto mais conhecemos nossos próprios pensamentos, medos e padrões emocionais, mais condições temos de perceber a diferença entre uma reação impulsiva e uma percepção interior mais tranquila.

O medo costuma exigir uma resposta imediata.

A ansiedade costuma criar inúmeros cenários.

O desejo pode nos fazer enxergar aquilo que queremos enxergar.

A intuição, por outro lado, muitas vezes aparece de uma maneira mais serena.

Ela não precisa convencer.

Ela simplesmente parece mostrar.

Talvez nunca estejamos realmente sozinhos

Existe uma reflexão ainda mais profunda por trás de tudo isso.

Se acreditamos que a existência não se limita apenas ao mundo físico, então talvez o sentimento de desamparo precise ser observado de outra maneira.

Podemos nos sentir sozinhos sem necessariamente estarmos sozinhos.

Podemos não enxergar um caminho sem que ele deixe de existir.

Podemos não compreender uma situação sem que ela esteja acontecendo sem propósito.

E podemos não ter respostas neste momento sem que isso signifique que não receberemos orientação.

Talvez uma das grandes aprendizagens da vida seja justamente desenvolver confiança mesmo quando ainda não conseguimos enxergar aquilo que está adiante.

É fácil confiar quando tudo está dando certo.

Mais difícil é confiar quando não sabemos o que acontecerá amanhã.

Mas talvez seja justamente nesses momentos que a nossa fé, nossa percepção interior e nossa capacidade de ouvir a intuição possam se desenvolver.

O mundo físico não precisa ser ignorado, mas não deve ser a única voz que ouvimos

Não precisamos escolher entre o mundo físico e a nossa vida interior.

Podemos ouvir conselhos, estudar, analisar situações, buscar informações e aprender com outras pessoas.

Mas também podemos reservar um espaço para ouvir aquilo que acontece dentro de nós.

Talvez o equilíbrio esteja justamente aí.

Ouvir o mundo, mas não esquecer de ouvir a nós mesmos.

Observar os fatos, mas também perceber aquilo que sentimos.

Usar a razão, mas não desprezar a intuição.

Buscar respostas externas, mas também permitir que algumas respostas surjam de dentro.

Quando conseguimos fazer isso, talvez comecemos a perceber que a vida possui muito mais dimensões do que aquelas que conseguimos enxergar.

E se o sentimento de desamparo estiver tentando nos ensinar alguma coisa?

Talvez essa seja uma pergunta importante para fazermos quando estivermos passando por um momento difícil.

Em vez de perguntar apenas:

"Por que isso está acontecendo comigo?"

Podemos experimentar perguntar:

"O que este momento está tentando me ensinar?"

Essa mudança de perspectiva pode transformar completamente a maneira como vivenciamos determinadas experiências.

O desamparo pode nos ensinar a confiar.

A solidão pode nos ensinar a estar conosco.

A dúvida pode nos ensinar a olhar para dentro.

A espera pode nos ensinar paciência.

E a ausência de respostas pode nos ensinar que nem tudo precisa ser compreendido imediatamente.

Talvez algumas respostas só possam ser encontradas quando estivermos preparados para recebê-las.


Aprender a ouvir a própria voz interior

Vivemos cercados de vozes.

Mas existe uma voz que muitas vezes esquecemos de ouvir: a nossa própria voz interior.

Talvez ela não fale através de palavras.

Talvez se manifeste como uma sensação.

Talvez como uma certeza.

Talvez como uma inquietação.

Talvez como aquela percepção que insiste em voltar, mesmo quando tentamos ignorá-la.

Aprender a ouvi-la exige tempo, silêncio e autoconhecimento.

E, acima de tudo, exige coragem.

Porque algumas vezes a nossa intuição nos mostra aquilo que não gostaríamos de enxergar.

Em outras, nos convida a fazer algo que temos medo de fazer.

Mas talvez confiar na intuição seja justamente aprender a caminhar mesmo quando não temos todas as respostas.

Podemos não saber para onde a vida está nos levando, mas podemos aprender a confiar nos sinais que surgem durante o caminho.

E talvez, quando fizermos isso, descubramos algo muito importante:

nem sempre estivemos desamparados. Talvez apenas estivéssemos procurando fora aquilo que precisava ser ouvido dentro de nós.


Continue sua jornada de autoconhecimento

Se este texto despertou alguma reflexão em você, não pare por aqui.

O autoconhecimento é construído aos poucos, através de perguntas, experiências e da disposição para olhar para dentro de nós mesmos.

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