Há uma relação muito profunda entre aquilo que somos, aquilo que sentimos e as experiências que atraímos para nossa vida. Muitas vezes, desejamos que determinadas situações aconteçam, esperamos encontrar pessoas que nos façam bem e buscamos uma realidade diferente daquela que estamos vivendo. Porém, nem sempre paramos para observar o que estamos emanando ao mundo.
“Tudo vem para nós conforme o que emanamos, por isso é tão importante nos conhecermos muito bem e sabermos do que gostamos, quem somos, do que não gostamos, de quem não somos e não gostaríamos de ser.”
Essa frase nos convida a olhar para dentro.
Não apenas para descobrir aquilo que desejamos, mas também para reconhecer aquilo que carregamos sem perceber. Porque conhecer a si mesmo não significa somente saber quais são nossas qualidades, nossos sonhos e nossas preferências. Significa também reconhecer nossas limitações, nossos medos, nossas contradições, nossas escolhas e até mesmo os comportamentos que não queremos mais levar conosco.
Aquilo que emanamos começa dentro de nós
Antes de qualquer coisa se manifestar em nossa realidade, existe algo acontecendo dentro de nós.
Um pensamento pode gerar um sentimento. Um sentimento pode influenciar uma atitude. Uma atitude repetida pode transformar-se em comportamento. E nossos comportamentos, ao longo do tempo, ajudam a construir a realidade que experimentamos.
Por isso, aquilo que emanamos não está relacionado somente às palavras que pronunciamos.
Podemos dizer que estamos tranquilos enquanto carregamos medo. Podemos afirmar que queremos prosperidade enquanto alimentamos constantemente pensamentos de escassez. Podemos desejar relacionamentos saudáveis enquanto continuamos aceitando situações que nos diminuem.
Existe, portanto, uma diferença entre aquilo que dizemos querer e aquilo que, verdadeiramente, estamos alimentando dentro de nós.
É justamente por isso que o autoconhecimento se torna tão importante.
Precisamos saber quem somos
Uma das perguntas mais importantes que podemos fazer ao longo da nossa existência é:
Quem sou eu?
Parece uma pergunta simples, mas talvez seja uma das mais difíceis de responder.
Durante grande parte da vida, aprendemos a ser aquilo que esperam de nós. Recebemos influências da família, da sociedade, dos amigos, da escola, dos relacionamentos e de tantos outros ambientes dos quais participamos.
Pouco a pouco, podemos acabar confundindo aquilo que realmente somos com aquilo que aprendemos que deveríamos ser.
Passamos a gostar de determinadas coisas porque todos gostam. Buscamos determinadas conquistas porque fomos ensinados que elas representam sucesso. Permanecemos em determinadas situações porque temos medo de decepcionar alguém.
E, sem perceber, podemos nos afastar de nós mesmos.
Conhecer-se é começar a separar essas camadas.
É perceber o que realmente faz sentido para nós e o que simplesmente foi incorporado ao longo do caminho.
Saber do que gostamos também é autoconhecimento
Às vezes pensamos que autoconhecimento precisa envolver grandes questões existenciais.
Mas ele também pode começar com perguntas muito simples:
Do que eu gosto?
O que me traz paz?
O que desperta minha alegria?
Que ambientes fazem bem para mim?
Que pessoas me inspiram?
Como gosto de utilizar meu tempo?
Essas perguntas podem parecer pequenas, mas ajudam a revelar nossa verdadeira natureza.
Quando sabemos do que gostamos, começamos a construir uma vida mais coerente com aquilo que somos.
E uma vida coerente produz uma energia diferente.
Não precisamos mais viver constantemente tentando agradar, provar ou representar alguma coisa para os outros.
Começamos simplesmente a ser.
Também precisamos saber do que não gostamos
Conhecer-se não significa apenas identificar aquilo que queremos.
É igualmente importante reconhecer aquilo que não queremos.
Existem situações que nos fazem mal, ambientes nos quais não nos sentimos bem e comportamentos que não combinam mais com a pessoa que estamos nos tornando.
Reconhecer isso não significa julgar ou rejeitar o mundo.
Significa estabelecer consciência.
Quando sabemos aquilo que não queremos, conseguimos fazer escolhas mais conscientes.
Podemos dizer “não”.
Podemos mudar de direção.
Podemos abandonar determinados hábitos.
Podemos nos afastar de situações que já não contribuem para nossa evolução.
E, principalmente, podemos deixar de acreditar que precisamos aceitar tudo aquilo que aparece em nosso caminho.
Saber quem não somos é tão importante quanto saber quem somos
Existe ainda uma dimensão mais profunda nessa reflexão.
Precisamos descobrir quem não somos.
Isso pode parecer estranho inicialmente, mas é extremamente libertador.
Não somos todas as expectativas que colocaram sobre nós.
Não somos nossos erros.
Não somos os julgamentos que recebemos.
Não somos aquilo que alguém decidiu que deveríamos ser.
Também não precisamos assumir uma identidade simplesmente porque fomos acostumados a desempenhar determinado papel.
À medida que avançamos no autoconhecimento, começamos a perceber que muitas características que considerávamos parte da nossa personalidade eram apenas mecanismos que desenvolvemos para nos adaptar às circunstâncias.
E quando percebemos isso, podemos escolher novamente.
Não precisamos nos tornar aquilo que não gostaríamos de ser
Outra pergunta importante é:
Quem eu não gostaria de ser?
Essa pergunta pode revelar muito sobre nosso caminho.
Talvez não queiramos nos tornar pessoas amargas.
Talvez não queiramos viver dominados pelo medo.
Talvez não queiramos passar a existência acumulando ressentimentos.
Talvez não queiramos nos tornar alguém que perdeu a capacidade de amar, de perdoar, de sonhar ou de acreditar na própria evolução.
Quando identificamos aquilo que não queremos nos tornar, passamos a perceber quais atitudes precisam ser observadas no presente.
Porque ninguém se transforma de repente.
As grandes mudanças geralmente começam em pequenas escolhas repetidas diariamente.
A realidade também nos mostra aquilo que estamos emanando
Nossa vida pode funcionar como um grande espelho.
Nem tudo aquilo que acontece conosco é necessariamente consequência direta do que pensamos ou sentimos. Existem circunstâncias que fogem ao nosso controle e experiências que fazem parte da própria jornada de aprendizado.
Mas podemos observar padrões.
Determinadas situações se repetem?
Estamos sempre atraindo relacionamentos semelhantes?
Costumamos ocupar os mesmos papéis?
Vivemos constantemente reclamando das mesmas coisas?
Encontramos sempre os mesmos obstáculos?
Quando determinados padrões aparecem repetidamente, talvez exista algo dentro de nós pedindo para ser observado.
Em vez de perguntar apenas:
“Por que isso sempre acontece comigo?”
talvez possamos começar a perguntar:
“O que essa experiência está tentando me mostrar sobre mim?”
Essa mudança de pergunta pode transformar completamente nossa maneira de enxergar a vida.
O autoconhecimento muda aquilo que emanamos
Quando começamos a nos conhecer verdadeiramente, nossas escolhas mudam.
Se antes aceitávamos qualquer situação para não ficarmos sozinhos, talvez passemos a escolher melhor nossas companhias.
Se antes buscávamos aprovação, talvez passemos a confiar mais em nossa própria consciência.
Se antes vivíamos tentando corresponder às expectativas alheias, talvez descubramos que nossa felicidade não depende de sermos aquilo que os outros desejam.
E quando nossas escolhas mudam, aquilo que emanamos também muda.
Passamos a transmitir mais clareza.
Mais segurança.
Mais autenticidade.
Mais consciência.
Não porque nos tornamos perfeitos, mas porque começamos a viver de maneira mais verdadeira.
A vida que desejamos começa na pessoa que estamos nos tornando
Muitas vezes perguntamos:
“O que eu quero receber da vida?”
Talvez seja igualmente importante perguntar:
“O que estou oferecendo à vida?”
Se desejamos paz, estamos cultivando paz?
Se desejamos amor, estamos aprendendo a amar?
Se desejamos respeito, estamos respeitando a nós mesmos?
Se desejamos relações verdadeiras, estamos sendo verdadeiros?
Se desejamos uma vida mais leve, estamos soltando aquilo que nos mantém presos?
Essas perguntas não servem para nos culpar.
Servem para nos despertar.
O objetivo do autoconhecimento não é encontrar defeitos em nós mesmos, mas compreender-nos com tanta profundidade que possamos escolher conscientemente aquilo que queremos alimentar.
Somos responsáveis pelo que cultivamos dentro de nós
Existe uma grande diferença entre responsabilidade e culpa.
A culpa olha para o passado e pergunta:
“O que eu fiz de errado?”
A responsabilidade olha para o presente e pergunta:
“O que posso fazer diferente daqui para frente?”
Essa segunda pergunta é muito mais poderosa.
Talvez não tenhamos escolhido tudo aquilo que aconteceu conosco.
Mas podemos escolher o que faremos com aquilo que vivemos.
Podemos transformar experiências em aprendizado.
Podemos transformar dores em consciência.
Podemos transformar erros em sabedoria.
E podemos transformar o conhecimento de nós mesmos em uma nova maneira de viver.
O encontro com o nosso verdadeiro eu
Talvez o maior propósito do autoconhecimento seja justamente esse: aproximarmo-nos cada vez mais de quem realmente somos.
Não da imagem que construímos.
Não daquilo que os outros esperam.
Não do personagem que aprendemos a representar.
Mas daquele ser que existe por trás de todas essas camadas.
Quanto mais nos conhecemos, mais naturalmente conseguimos escolher aquilo que combina com nossa essência.
E, consequentemente, mais coerente se torna aquilo que emanamos.
A vida deixa de ser apenas uma sequência de acontecimentos que simplesmente nos acontecem e começa a ser percebida como um caminho no qual nossas escolhas, pensamentos, sentimentos e atitudes participam da construção da nossa experiência.
Talvez seja por isso que o autoconhecimento seja uma das maiores jornadas que podemos empreender.
Porque, no fim das contas, conhecer o mundo pode nos ensinar muitas coisas.
Mas conhecer a nós mesmos pode transformar a maneira como experimentamos o mundo.
Comece olhando para dentro
Hoje, reserve alguns minutos para ficar em silêncio e fazer algumas perguntas a si mesmo:
Quem sou eu quando não preciso agradar ninguém?
Do que realmente gosto?
O que já não combina comigo?
Que tipo de pessoa estou me tornando?
O que tenho emanado através dos meus pensamentos, sentimentos e atitudes?
E talvez a pergunta mais importante:
A realidade que estou construindo combina com aquilo que verdadeiramente desejo viver?
Não tenha pressa para encontrar as respostas.
O autoconhecimento não é uma prova que precisamos terminar.
É um caminho.
E cada resposta encontrada abre espaço para uma nova pergunta, uma nova descoberta e uma nova possibilidade de transformação.
Continue sua jornada de autoconhecimento
Se esta reflexão despertou algo dentro de você, não pare por aqui.
O autoconhecimento acontece justamente quando permitimos que uma reflexão conduza à próxima. Por isso, continue explorando outros artigos do Encontre o Seu Eu Interior. Leia, reflita, questione suas próprias verdades e procure perceber como cada novo conhecimento pode contribuir para a sua caminhada.
Talvez o próximo texto seja exatamente aquele que você precisava encontrar hoje.
Continue lendo, continue buscando e, acima de tudo, continue conhecendo o seu próprio interior.
Porque quanto mais profundamente nos conhecemos, mais conscientes nos tornamos daquilo que emanamos — e mais preparados estamos para construir uma vida que esteja verdadeiramente de acordo com aquilo que somos.

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