Nos relacionamentos podemos ser anjos ou vilões: a influência que exercemos sobre a vida dos outros

Imagem de Kurt Bouda do Pixabay


 Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam luz. Outras deixam marcas, dúvidas, sofrimento ou aprendizados que carregamos durante muito tempo. E, talvez sem percebermos, nós também fazemos exatamente o mesmo com as pessoas que encontramos pelo caminho.

Em alguns relacionamentos podemos ser verdadeiros anjos, oferecendo uma palavra de conforto, uma oportunidade, um conselho, um abraço ou simplesmente a presença necessária em um momento difícil.

Mas também podemos ser vilões, quando usamos nossas palavras para ferir, quando manipulamos, julgamos, enganamos, humilhamos ou influenciamos alguém a tomar caminhos que não contribuiriam para o seu bem.

É por isso que a frase:

“Nos relacionamentos podemos ser anjos ou vilões, pois podemos influenciar para o bem ou para o mal. Peça perdão, em oração, a todos a quem influenciou para o mal e agradeça, aqueles que foram ótimas influências em sua vida.”

traz uma reflexão muito profunda sobre a responsabilidade que temos nos relacionamentos.

Somos influenciados e também influenciamos

Quando pensamos em influência, geralmente imaginamos alguém que possui autoridade ou grande poder sobre outra pessoa. Porém, não é necessário ocupar uma posição de destaque para influenciar uma vida.

Uma conversa pode influenciar.

Um exemplo pode influenciar.

Uma crítica pode influenciar.

Uma atitude pode influenciar.

Até mesmo o nosso silêncio pode influenciar.

Desde a infância somos influenciados por nossos pais, familiares, professores, amigos, parceiros, colegas de trabalho, pela sociedade, pela cultura e por inúmeras experiências que vão ajudando a formar a maneira como enxergamos o mundo.

Mas existe uma segunda parte dessa história que muitas vezes esquecemos:

também estamos influenciando as pessoas ao nosso redor.

Talvez você nunca tenha percebido, mas alguém pode ter tomado uma decisão importante na vida depois de conversar com você.

Alguém pode ter desistido de um sonho por causa de uma palavra sua.

Alguém pode ter encontrado forças para continuar justamente porque você acreditou nessa pessoa.

Alguém pode ter aprendido a perdoar observando você.

E alguém pode também ter carregado uma dor durante anos por algo que você fez ou disse.

Essa percepção pode ser desconfortável, mas é justamente aí que começa uma importante oportunidade de autoconhecimento.

Que tipo de influência estamos exercendo?

Não precisamos dividir as pessoas simplesmente entre boas e ruins.

Todos nós estamos aprendendo.

Todos cometemos erros.

Todos podemos agir de maneira amorosa em determinado momento e, em outro, agir movidos pelo orgulho, pela raiva, pelo medo, pelo ego ou pela necessidade de controlar uma situação.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Sou uma pessoa boa ou ruim?”

Mas sim:

“Que tipo de influência estou exercendo sobre as pessoas que convivem comigo?”

Quando alguém está ao nosso lado, essa pessoa se sente mais livre ou mais presa?

Mais confiante ou mais insegura?

Mais feliz ou mais triste?

Mais próxima de si mesma ou cada vez mais distante de quem realmente é?

Essas perguntas podem revelar muito sobre nossos relacionamentos.

Quando somos “anjos” na vida de alguém

Ser um “anjo” na vida de uma pessoa não significa ser perfeito.

Às vezes, significa simplesmente estar presente.

É ouvir sem julgar.

É oferecer uma palavra de incentivo.

É respeitar o momento do outro.

É ajudar sem exigir algo em troca.

É mostrar uma possibilidade quando alguém acredita que não existe saída.

Também podemos ser uma influência positiva quando incentivamos alguém a se conhecer melhor, a buscar ajuda, a abandonar um comportamento destrutivo ou simplesmente a acreditar novamente em si mesmo.

Muitas vezes, nem sabemos o impacto que causamos.

Uma frase que para nós pareceu simples pode ter sido exatamente aquilo que outra pessoa precisava ouvir naquele momento.

Por isso, existem pessoas que talvez nunca saibam o quanto foram importantes em nossa caminhada.

E talvez seja justamente por isso que devemos aprender a agradecer.

Agradecer às pessoas que foram boas influências

Existe uma grande força na gratidão.

Quando olhamos para nossa história, percebemos que não chegamos até aqui sozinhos.

Existiram pessoas que nos ensinaram.

Pessoas que nos acolheram.

Pessoas que acreditaram em nós quando nós mesmos não acreditávamos.

Pessoas que nos mostraram novos caminhos.

Pessoas que, talvez sem perceber, contribuíram para que nos tornássemos quem somos hoje.

Algumas permaneceram ao nosso lado.

Outras seguiram seus próprios caminhos.

Algumas podem até ter partido desta existência.

Mas a influência que exerceram permanece.

Por isso, podemos fazer um exercício simples: lembrar dessas pessoas e agradecer.

Não necessariamente precisamos encontrá-las pessoalmente.

Podemos simplesmente fechar os olhos e dizer, em pensamento:

“Obrigado por tudo aquilo que você representou em minha vida. Obrigado pelo bem que você me ensinou. Que eu possa levar adiante aquilo que recebi de você.”

A gratidão transforma a maneira como enxergamos nosso próprio passado.

E quando fomos nós que fizemos o mal?

Essa talvez seja a parte mais difícil da reflexão.

É relativamente fácil lembrar daqueles que nos machucaram.

Mais difícil é lembrar daqueles que nós machucamos.

Talvez exista alguém a quem você tenha dito palavras duras.

Alguém que você tenha decepcionado.

Alguém que você tenha abandonado em um momento importante.

Alguém que você tenha julgado.

Alguém que você tenha influenciado de maneira negativa.

Talvez você tenha feito isso conscientemente.

Talvez não.

Talvez, naquele momento, você estivesse simplesmente repetindo comportamentos que também havia aprendido.

Isso não significa ignorar a responsabilidade pelo que fizemos.

Mas significa compreender que reconhecer um erro pode ser o primeiro passo para interromper um ciclo.

Pedir perdão também é um exercício de autoconhecimento

Pedir perdão em oração pode ser uma experiência profundamente transformadora.

Não se trata apenas de dizer:

“Eu errei.”

É olhar para a própria história e reconhecer:

“Talvez eu também tenha sido responsável por algumas dores que alguém carregou.”

Esse reconhecimento não precisa ser acompanhado de culpa permanente.

A culpa pode nos prender ao passado.

O arrependimento consciente, por outro lado, pode nos ensinar.

Podemos olhar para aquilo que fizemos, compreender o que nos levou a agir daquela maneira e escolher não repetir o comportamento.

Em uma perspectiva espiritual, podemos colocar essas pessoas em nossas orações e pedir perdão por aquilo que fizemos, pelas palavras que dissemos e pelas influências negativas que exercemos.

Mesmo que nunca mais tenhamos contato com essas pessoas, podemos desejar sinceramente que estejam bem.

E, quando possível e apropriado, também podemos pedir perdão diretamente.

O perdão não apaga o passado

É importante compreender que pedir perdão não significa apagar aquilo que aconteceu.

O passado não muda.

O que pode mudar é a maneira como nos relacionamos com ele.

Não podemos voltar àquele momento e escolher outras palavras.

Não podemos desfazer uma decisão.

Não podemos retirar da memória de alguém aquilo que fizemos.

Mas podemos aprender.

Podemos reparar quando houver possibilidade.

Podemos pedir perdão.

E, principalmente, podemos nos tornar pessoas diferentes daqui para frente.

Talvez essa seja uma das formas mais verdadeiras de reparação: não repetir aquilo que um dia causou sofrimento.

E se alguém tiver sido uma influência negativa em nossa vida?

A reflexão também pode seguir no sentido contrário.

Talvez você tenha sido profundamente influenciado por alguém.

Talvez tenha aprendido com essa pessoa comportamentos que hoje percebe que não gostaria de carregar.

Talvez tenha passado anos tentando agradar alguém, buscando aprovação ou acreditando em algo que não correspondia à sua verdadeira essência.

Nesse caso, reconhecer a influência não significa necessariamente guardar ressentimento.

Podemos reconhecer:

“Essa pessoa fez parte da minha história, mas eu não preciso continuar reproduzindo aquilo que recebi dela.”

Essa compreensão pode ser libertadora.

Somos influenciados, mas não precisamos permanecer eternamente presos às influências que recebemos.

Em algum momento, precisamos assumir a responsabilidade pela pessoa que escolhemos ser.

O relacionamento é também uma oportunidade de evolução

Talvez seja justamente por isso que os relacionamentos sejam tão importantes em nossa caminhada.

Eles revelam quem somos.

Uma pessoa pode despertar nossa paciência.

Outra pode despertar nossa irritação.

Uma pode nos ensinar o amor.

Outra pode nos ensinar limites.

Uma pode nos mostrar a importância da confiança.

Outra pode nos ensinar a não abandonar a nós mesmos para agradar alguém.

Dessa maneira, cada relacionamento pode trazer algum tipo de aprendizado.

E talvez a pergunta não seja apenas:

“O que essa pessoa fez comigo?”

Mas também:

“O que essa relação está me ensinando sobre mim?”

Essa mudança de perspectiva pode transformar completamente a maneira como enxergamos nossas experiências.

Antes de julgar, olhe para a sua própria influência

É muito fácil identificar os erros dos outros.

Difícil é olhar para o espelho e reconhecer os nossos.

Por isso, antes de pensar em quem foi vilão em nossa história, talvez seja importante perguntar:

Em quais histórias eu fui o vilão?

E antes de pensar em quem foi nosso anjo, perguntar:

Na vida de quem eu fui uma presença de luz?

Talvez as respostas surpreendam.

Podemos descobrir que fomos importantes para pessoas que jamais imaginamos.

E também podemos perceber que deixamos marcas em pessoas que nunca tivemos a intenção de ferir.

Essa consciência não precisa produzir sofrimento.

Ela pode produzir transformação.

Um exercício para hoje

Reserve alguns minutos em silêncio e pense nas pessoas que fizeram parte da sua caminhada.

Primeiro, lembre-se daqueles que foram boas influências.

Agradeça.

Depois, lembre-se daqueles que você acredita ter influenciado negativamente.

Peça perdão em oração.

Se existir alguma situação que possa ser reparada de maneira saudável, talvez seja o momento de considerar essa possibilidade.

E, por fim, faça uma última pergunta a si mesmo:

“A partir de hoje, que tipo de influência eu quero ser na vida das pessoas?”

Talvez essa seja a pergunta mais importante de todas.

Porque não podemos mudar o que já fizemos.

Mas podemos escolher o que faremos daqui para frente.

Que tipo de pessoa estamos deixando para trás?

Nossa passagem pela vida não é marcada apenas pelas coisas que conquistamos.

Também é marcada pelas pessoas que encontramos e pelas marcas que deixamos nelas.

Talvez algumas pessoas se lembrem de nós por uma palavra.

Outras, por um gesto.

Outras, por uma dor.

E outras, por um momento em que estivemos presentes quando ninguém mais estava.

Não temos controle sobre todas as interpretações que as pessoas terão a nosso respeito.

Mas temos responsabilidade sobre aquilo que oferecemos a elas.

Por isso, talvez valha a pena viver com um pouco mais de consciência.

Falar com um pouco mais de cuidado.

Ouvir com mais atenção.

Perdoar com mais sinceridade.

Agradecer com mais frequência.

E lembrar que, em cada relacionamento, existe uma possibilidade de influenciar.

Podemos ser parte da ferida ou parte da cura.

Podemos aumentar a escuridão ou contribuir para que alguém encontre novamente a luz.

Podemos ser anjos ou vilões na vida das pessoas.

A escolha, muitas vezes, acontece nas pequenas atitudes de todos os dias.

Para continuar sua reflexão

Se este texto despertou alguma reflexão em você, não pare por aqui.

O autoconhecimento acontece justamente quando começamos a olhar para nossas experiências com mais consciência e menos julgamento.

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Talvez o próximo artigo seja exatamente aquilo que você precisava ler hoje.

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Frase para compartilhar:

“Nos relacionamentos podemos ser anjos ou vilões, pois podemos influenciar para o bem ou para o mal. Peça perdão, em oração, a todos a quem influenciou para o mal e agradeça àqueles que foram ótimas influências em sua vida.”

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