A felicidade está dentro de nós: por que passamos a vida procurando fora de nós mesmos?

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A felicidade é uma realidade inerente a todo ser vivo

“A felicidade é uma realidade inerente a todo ser vivo, mas o ser humano, na maior parte das vezes, prefere buscá-la fora de si e passa uma encarnação inteira em buscas errantes e, com isso, sua alma fica vagando e penando.”

Talvez uma das maiores contradições da existência humana seja justamente esta: passamos grande parte da vida procurando aquilo que desejamos sentir.

Buscamos felicidade em relacionamentos, dinheiro, reconhecimento, profissão, viagens, bens materiais, conquistas, aprovação e tantas outras coisas. Acreditamos que, quando determinada circunstância finalmente acontecer, poderemos então descansar e dizer:

“Agora eu serei feliz.”

Mas, quando conseguimos aquilo que tanto desejávamos, a satisfação muitas vezes dura pouco.

Logo surge outro desejo.

Outro objetivo.

Outra preocupação.

Outra coisa que precisamos conquistar.

E, sem perceber, transformamos a própria existência em uma sucessão de buscas.

Talvez o problema não esteja em desejar, conquistar ou melhorar a própria vida. O problema começa quando acreditamos que a felicidade depende exclusivamente daquilo que acontece fora de nós.

O ser humano aprendeu a procurar fora aquilo que sente falta dentro

Desde cedo somos ensinados, de diferentes maneiras, a olhar para fora.

Aprendemos que precisamos estudar para conseguir uma profissão, trabalhar para ganhar dinheiro, ganhar dinheiro para comprar coisas, conquistar coisas para sermos reconhecidos e sermos reconhecidos para nos sentirmos importantes.

E assim construímos uma vida inteira baseada em acontecimentos externos.

Não há nada de errado em estudar, trabalhar, construir uma família, viajar, conquistar bens ou buscar melhores condições de vida.

A questão é outra:

Quem somos nós quando todas essas coisas deixam de produzir a sensação de felicidade que esperávamos?

Essa pergunta pode ser desconfortável.

Porque talvez descubramos que muitas das nossas escolhas não nasceram de uma verdadeira vontade interior, mas da necessidade de sermos aceitos, admirados ou reconhecidos.

Podemos passar anos tentando construir uma vida que pareça feliz aos olhos dos outros, enquanto interiormente continuamos procurando alguma coisa que não sabemos exatamente o que é.

A felicidade condicionada

Quando dizemos:

“Eu serei feliz quando ganhar mais dinheiro.”

“Eu serei feliz quando encontrar alguém.”

“Eu serei feliz quando comprar aquela casa.”

“Eu serei feliz quando me aposentar.”

“Eu serei feliz quando puder viajar.”

“Eu serei feliz quando resolver aquele problema.”

Estamos colocando a nossa felicidade em uma condição futura.

É como se disséssemos à nossa própria alma:

“Você poderá descansar depois.”

O problema é que o “depois” quase nunca chega da maneira que imaginamos.

Quando uma meta é alcançada, outra aparece.

Quando um problema é resolvido, outro surge.

Quando conseguimos aquilo que queríamos, descobrimos que aquilo não era suficiente para preencher o vazio que existia.

E então começamos novamente a procurar.

Não necessariamente porque aquilo que conquistamos não tenha valor, mas porque nenhuma conquista exterior consegue realizar completamente uma necessidade que é interior.

Talvez a felicidade não seja algo que precisamos encontrar

Existe uma diferença profunda entre encontrar a felicidade e permitir que a felicidade se manifeste.

Quando acreditamos que precisamos encontrar a felicidade, imaginamos que ela está em algum lugar que ainda não alcançamos.

Ela estaria em uma pessoa.

Em uma cidade.

Em uma profissão.

Em uma conta bancária.

Em determinada experiência.

Em algum momento futuro.

Mas, quando começamos a olhar para dentro, surge outra possibilidade:

e se a felicidade não estiver faltando, mas estiver encoberta?

Encoberta pelos medos.

Pelas expectativas.

Pelas cobranças.

Pelos ressentimentos.

Pela necessidade de controle.

Pela comparação.

Pela ansiedade em relação ao futuro.

Pela dificuldade de aceitar aquilo que não podemos modificar.

Talvez a jornada do autoconhecimento não seja exatamente uma busca para encontrar alguma coisa que não temos.

Talvez seja uma jornada para retirar aquilo que impede de perceber aquilo que já existe em nós.

O ego também participa dessa busca

O ego possui uma característica interessante: ele frequentemente nos convence de que ainda falta alguma coisa.

Falta dinheiro.

Falta reconhecimento.

Falta segurança.

Falta alguém.

Falta uma conquista.

Falta uma mudança.

Falta alguma coisa.

E, enquanto acreditamos nisso, permanecemos em movimento.

Precisamos conquistar.

Precisamos controlar.

Precisamos provar.

Precisamos comparar.

Precisamos chegar.

O ego encontra segurança na busca porque a busca mantém nossa atenção voltada para o mundo exterior.

Enquanto estamos procurando alguma coisa fora de nós, talvez não precisemos olhar profundamente para dentro.

E olhar para dentro pode ser desconfortável.

Porque ali encontramos sentimentos que evitamos, pensamentos que não queremos reconhecer e partes de nós mesmos que ainda não compreendemos.

É justamente por isso que o autoconhecimento pode ser tão transformador.

A alma pode passar uma encarnação inteira procurando

Quando observamos a existência a partir de uma perspectiva espiritual, podemos compreender a vida como uma oportunidade de aprendizado, consciência e evolução.

Dentro dessa perspectiva, a experiência humana não seria apenas uma corrida em busca de conquistas materiais.

Existiriam aprendizados acontecendo nas relações, nas dificuldades, nas perdas, nas escolhas e também nos momentos de aparente tranquilidade.

Porém, quando permanecemos presos exclusivamente à realidade exterior, podemos passar pela existência sem perceber aquilo que a experiência está tentando nos ensinar.

Vivemos.

Trabalhamos.

Conquistamos.

Perdemos.

Recomeçamos.

E fazemos tudo novamente.

Até que, em algum momento, surge uma pergunta:

“Mas afinal, o que estou procurando?”

Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que alguém pode fazer a si mesmo.

Porque, quando descobrimos o que realmente estamos procurando, começamos também a compreender por que estamos procurando.

A felicidade não significa ausência de problemas

É importante compreender que encontrar uma dimensão mais profunda de felicidade interior não significa viver permanentemente alegre ou sem dificuldades.

A vida continuará apresentando desafios.

Pessoas irão embora.

Planos poderão não acontecer.

Haverá perdas, frustrações, mudanças e momentos de tristeza.

Felicidade não significa negar essas experiências.

Significa talvez desenvolver uma relação diferente com elas.

Uma pessoa pode estar atravessando uma dificuldade e, ainda assim, conservar dentro de si uma sensação de confiança, presença e conexão com a própria existência.

Isso é muito diferente de depender das circunstâncias para sentir que a vida vale a pena.

A felicidade interior não necessariamente elimina a dor.

Ela pode mudar a maneira como atravessamos a dor.

Quando paramos de procurar, começamos a perceber

Talvez exista um momento na jornada do autoconhecimento em que precisamos parar.

Não necessariamente parar de viver.

Não parar de sonhar.

Não parar de construir.

Mas parar de correr desesperadamente atrás de alguma coisa que imaginamos estar sempre alguns passos à frente.

É nesse silêncio que podemos começar a perceber.

Perceber nossos pensamentos.

Perceber nossos desejos.

Perceber nossos medos.

Perceber aquilo que fazemos apenas para agradar aos outros.

Perceber aquilo que realmente queremos.

E, principalmente, perceber que existe uma diferença entre ter uma vida melhor e sentir que precisamos ter uma vida melhor para finalmente podermos ser felizes.

Essa diferença pode transformar completamente nossa maneira de viver.

Talvez a verdadeira busca seja voltar para dentro

O ser humano passa grande parte da existência tentando conquistar o mundo.

Talvez uma das grandes tarefas do autoconhecimento seja aprender a conquistar algo muito mais difícil:

a própria consciência.

Conhecer quem somos.

Compreender nossas reações.

Reconhecer nossas limitações.

Questionar nossas crenças.

Observar o ego.

Aceitar aquilo que não podemos controlar.

Libertar-nos pouco a pouco das necessidades criadas pelo mundo exterior.

E descobrir que talvez a felicidade não esteja no final de uma longa estrada.

Talvez ela esteja presente durante a caminhada.

Talvez nunca tenha sido necessário encontrá-la.

Talvez fosse necessário apenas silenciar o suficiente para percebê-la.


E se você não precisasse encontrar a felicidade?

Essa pergunta merece ser levada para dentro de nós.

E se a felicidade não fosse um lugar ao qual precisamos chegar?

E se ela fosse uma possibilidade presente na própria consciência?

E se grande parte do nosso sofrimento viesse justamente da tentativa de encontrar no mundo exterior aquilo que somente pode ser reconhecido no interior?

Talvez não precisemos abandonar nossos sonhos, nossos projetos ou nossos desejos.

Talvez precisemos apenas deixar de entregar a eles a responsabilidade pela nossa felicidade.

Porque podemos desejar algo e continuar em paz enquanto não o possuímos.

Podemos amar alguém sem transformar essa pessoa na responsável pela nossa felicidade.

Podemos trabalhar para conquistar algo sem acreditar que a conquista determinará o nosso valor.

Podemos desejar uma vida melhor sem rejeitar a vida que temos hoje.

E talvez seja justamente aí que comece uma transformação verdadeira:

quando deixamos de buscar desesperadamente a felicidade e começamos a criar espaço interior para reconhecê-la.

Se esta reflexão despertou algo dentro de você, não pare por aqui. O autoconhecimento acontece justamente quando começamos a fazer novas perguntas sobre aquilo que sempre consideramos normal.

Continue sua jornada pelo Encontre o Seu Eu Interior e leia outros artigos sobre autoconhecimento, ego, espiritualidade, consciência e evolução interior. Talvez o próximo texto traga uma reflexão que ajude você a compreender um pouco mais sobre si mesmo.

Afinal, algumas respostas não estão esperando para serem encontradas no mundo.

Estão esperando para serem percebidas dentro de nós.

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