Quanto mais aprimoramos o ego, mais próximos estamos da nossa missão

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 “Quanto mais aprimorarmos o ego mais próximos de cumprirmos Nossa Missão estaremos, mas, para isso, é preciso muito amor e amar.”

Existe uma ideia bastante difundida de que, para encontrarmos nossa verdadeira essência, precisamos nos libertar do ego. Como se o ego fosse necessariamente um obstáculo ao nosso crescimento interior, algo que deveria ser eliminado para que pudéssemos finalmente nos aproximar de quem realmente somos.

Mas será que precisamos eliminar o ego?

Talvez não.

Talvez o caminho seja justamente aprimorá-lo.

O ego faz parte da nossa experiência humana. Ele está relacionado à maneira como percebemos a nós mesmos, como nos posicionamos diante da vida, como fazemos escolhas e como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor. O problema não está necessariamente em possuir um ego, mas em permitir que ele permaneça preso ao medo, ao orgulho, à necessidade de controle, à competição e à necessidade constante de reconhecimento.

A transformação interior começa quando deixamos de lutar contra aquilo que somos e passamos a compreender aquilo que ainda podemos nos tornar.

O ego não precisa ser destruído, precisa ser transformado

Quando falamos em aprimoramento do ego, não estamos falando em alimentar a vaidade, o orgulho ou a sensação de superioridade.

Aprimorar o ego significa desenvolver uma consciência maior sobre nós mesmos.

É perceber nossas limitações sem nos diminuirmos.

É reconhecer nossas qualidades sem precisarmos nos colocar acima dos outros.

É aprender a dizer não sem culpa, mas também saber reconhecer quando precisamos ceder.

É compreender que nem sempre estamos certos.

É aceitar que algumas situações que nos incomodam podem estar mostrando justamente aquilo que ainda precisamos transformar em nós.

Um ego amadurecido não precisa provar o seu valor o tempo todo.

Ele começa a compreender que seu valor não depende da aprovação dos outros.

E, quando isso acontece, algo muito importante começa a mudar: deixamos de viver para alimentar uma imagem e começamos a viver de acordo com aquilo que verdadeiramente somos.

Nossa missão não está separada da nossa experiência humana

Quando pensamos em “missão”, muitas vezes imaginamos algo grandioso.

Podemos pensar que nossa missão precisa envolver uma grande realização, uma profissão específica, uma descoberta extraordinária ou alguma contribuição capaz de transformar a vida de muitas pessoas.

Mas talvez nossa missão seja muito mais próxima de nós do que imaginamos.

Talvez ela esteja presente na maneira como tratamos as pessoas.

Na família que construímos.

Nas dificuldades que escolhemos superar.

Na capacidade de perdoar.

Naquilo que aprendemos com nossas próprias dores.

No conhecimento que compartilhamos.

No acolhimento que oferecemos.

Em uma palavra de conforto que alguém precisava ouvir justamente naquele momento.

Nossa missão não precisa necessariamente parecer grandiosa aos olhos do mundo.

Ela precisa fazer sentido para nossa consciência.

E é justamente por isso que o aprimoramento do ego se torna tão importante.

Quanto mais nos conhecemos, mais percebemos aquilo que realmente nos move. Quanto mais compreendemos nossas sombras, nossos medos e nossas necessidades, mais liberdade adquirimos para escolher nossos caminhos.

O ego imaturo busca receber; o ego amadurecido aprende a oferecer

Existe uma transformação muito interessante que acontece dentro de nós quando começamos a amadurecer.

Em determinada fase da vida, podemos estar muito concentrados naquilo que queremos receber.

Queremos reconhecimento.

Queremos aprovação.

Queremos ser compreendidos.

Queremos que os outros reconheçam nossos esforços.

Queremos que a vida aconteça de acordo com nossas expectativas.

Isso faz parte da experiência humana.

Entretanto, com o amadurecimento interior, começamos a fazer perguntas diferentes.

O que posso oferecer?

Como posso contribuir?

O que posso aprender com essa experiência?

Como posso transformar aquilo que vivi em algo que também possa ajudar outra pessoa?

Essa mudança de perspectiva não significa deixar de cuidar de nós mesmos.

Significa compreender que nossa realização pessoal não está somente naquilo que conseguimos conquistar, mas também naquilo que conseguimos compartilhar.

E é nesse ponto que o amor começa a assumir um papel fundamental.

Para cumprir nossa missão, precisamos aprender a amar

A frase que inspira esta reflexão termina dizendo:

“...para isso, é preciso muito amor e amar.”

Existe uma diferença profunda entre compreender o amor como um sentimento e compreender o amor como uma maneira de viver.

Sentir amor é maravilhoso.

Mas amar exige presença, escolha e atitude.

Amar é ter paciência quando seria mais fácil reagir.

É ouvir quando estamos acostumados apenas a falar.

É respeitar mesmo quando pensamos de maneira diferente.

É perdoar sem necessariamente permitir que o outro continue nos ferindo.

É reconhecer que cada pessoa está vivendo seu próprio processo de aprendizado.

É também aprender a amar a nós mesmos.

Porque não podemos oferecer ao mundo aquilo que continuamente negamos a nós mesmos.

O amor próprio não significa egoísmo. Significa reconhecer nossa própria dignidade, respeitar nossos limites e compreender que também merecemos cuidado, compreensão e acolhimento.

Quando começamos a nos tratar com mais amor, algo muda na maneira como tratamos os outros.

Amar também é permitir que o outro seja quem é

Uma das formas mais difíceis de amar é abrir mão da necessidade de controlar.

Queremos que as pessoas que amamos façam determinadas escolhas.

Queremos protegê-las de seus erros.

Queremos evitar que sofram.

Queremos mostrar-lhes o caminho que acreditamos ser o melhor.

Mas cada pessoa possui sua própria jornada.

Amar não significa concordar com tudo.

Também não significa permanecer ao lado de alguém em qualquer circunstância.

Amar pode significar estabelecer limites.

Pode significar afastar-se.

Pode significar dizer uma verdade que não gostaríamos de ouvir.

Pode significar permitir que alguém enfrente as consequências das próprias escolhas.

O amor verdadeiro não precisa controlar para existir.

Ele pode orientar, acolher e respeitar.

O aprimoramento do ego nos aproxima da nossa verdadeira essência

Existe uma aparente contradição nessa ideia.

Se queremos nos aproximar da nossa essência, por que deveríamos aprimorar o ego?

Porque talvez o objetivo não seja abandonar nossa humanidade, mas torná-la mais consciente.

Não precisamos deixar de ter desejos, opiniões, sonhos e necessidades.

Precisamos aprender a lidar com tudo isso de maneira mais equilibrada.

O ego pode deixar de ser um instrumento de separação e tornar-se um instrumento de expressão.

Quando aprendemos a utilizar nossas características pessoais para construir, colaborar e amar, aquilo que antes parecia ser apenas uma característica do nosso ego começa a servir a algo maior.

Nossa sensibilidade pode se transformar em acolhimento.

Nossa inteligência pode se transformar em conhecimento compartilhado.

Nossa experiência pode se transformar em orientação.

Nossa capacidade de comunicação pode se transformar em inspiração.

Nossas próprias dificuldades podem se transformar em compreensão pelo sofrimento alheio.

É assim que aquilo que somos começa a encontrar um propósito.

Talvez nossa missão esteja escondida justamente naquilo que precisamos transformar

Muitas vezes procuramos nossa missão olhando para aquilo que fazemos bem.

Mas talvez também seja importante olhar para aquilo que mais nos desafia.

A pessoa que precisou aprender a superar a rejeição pode desenvolver uma capacidade extraordinária de acolher.

Quem enfrentou grandes perdas pode desenvolver uma compreensão profunda sobre a impermanência da vida.

Quem passou anos buscando aprovação pode, depois de compreender esse processo, ajudar outras pessoas a encontrarem seu próprio valor.

Quem aprendeu a lidar com o medo pode tornar-se alguém capaz de encorajar aqueles que ainda estão presos a ele.

Isso não significa que precisamos sofrer para encontrar nossa missão.

Significa apenas que nenhuma experiência precisa ser desperdiçada.

Até aquilo que um dia pareceu sem sentido pode, com o tempo, adquirir um novo significado.

A missão começa dentro, mas não termina em nós

Talvez seja justamente essa uma das maiores transformações do caminho interior.

No início, buscamos respostas para nós mesmos.

Queremos compreender quem somos.

Queremos encontrar nosso propósito.

Queremos curar nossas dores.

Queremos descobrir por que determinadas experiências aconteceram.

E tudo isso é importante.

Mas chega um momento em que o conhecimento adquirido começa naturalmente a transbordar.

Aquilo que aprendemos deixa de servir apenas à nossa própria transformação.

Começamos a perceber que podemos utilizar nossas experiências para contribuir com a vida de outras pessoas.

É nesse momento que a jornada interior encontra o mundo exterior.

O caminho para dentro também é um caminho para o mundo.

Quanto mais nos conhecemos, mais condições temos de participar conscientemente da vida.

Quanto mais aprimoramos nosso ego, menos precisamos utilizá-lo para competir e mais podemos utilizá-lo para realizar.

Quanto mais aprendemos a amar, mais nossa existência pode se tornar uma expressão daquilo que verdadeiramente somos.

E se sua missão estiver mais perto do que você imagina?

Talvez você esteja esperando uma grande resposta.

Talvez esteja procurando um sinal que indique exatamente o que deveria fazer com sua vida.

Mas talvez a resposta não venha como uma revelação.

Talvez ela esteja sendo construída diariamente.

Nas pequenas escolhas.

Nas relações.

Na maneira como você enfrenta as dificuldades.

Naquilo que desperta sua compaixão.

Naquilo que você sente vontade de transformar.

Nas experiências que mais tocaram sua alma.

Pergunte a si mesmo:

O que a vida tem tentado me ensinar?

Que características minhas precisam ser aprimoradas?

O que posso oferecer ao mundo a partir daquilo que já vivi?

Onde posso colocar mais amor?

Talvez as respostas para essas perguntas não apareçam imediatamente.

E tudo bem.

Algumas respostas precisam amadurecer dentro de nós antes de conseguirmos reconhecê-las.

O amor é o elo entre o ego e a missão

Aprimorar o ego sem amor pode transformar-se apenas em aprimoramento pessoal.

Podemos nos tornar mais inteligentes, mais eficientes, mais disciplinados e mais bem-sucedidos, mas ainda assim permanecermos presos à necessidade de provar nosso valor.

O amor muda tudo.

Porque ele nos permite utilizar aquilo que desenvolvemos não apenas em benefício próprio, mas também em benefício da vida.

É o amor que transforma conhecimento em sabedoria.

É o amor que transforma força em proteção.

É o amor que transforma experiência em compreensão.

É o amor que transforma nossa própria jornada em possibilidade de contribuição.

Talvez seja por isso que a frase nos lembra que não basta aprimorar o ego.

É preciso muito amor e amar.

Porque nossa missão não está apenas naquilo que conseguimos ser.

Ela também está naquilo que conseguimos oferecer através daquilo que somos.

Para refletir

Talvez cumprir nossa missão não seja chegar a algum lugar específico.

Talvez seja tornar-nos, pouco a pouco, a pessoa capaz de realizar aquilo que nossa existência nos convida a realizar.

E, para isso, precisamos olhar para dentro.

Precisamos reconhecer nossas imperfeições sem culpa, nossas qualidades sem orgulho e nossas experiências sem julgamento.

Precisamos transformar o ego, não destruí-lo.

Precisamos amadurecer.

Precisamos aprender.

Precisamos perdoar.

Precisamos amar.

E, acima de tudo, precisamos permitir que esse amor ultrapasse os limites do nosso próprio mundo interior.

Porque talvez nossa missão comece quando nos encontramos, mas se revele verdadeiramente quando aquilo que encontramos dentro de nós passa a fazer diferença na vida ao nosso redor.

Quanto mais aprimorarmos o ego, mais próximos estaremos de cumprir nossa missão. Mas, para isso, é preciso muito amor e amar.

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Talvez o próximo texto seja justamente aquele que você precisava encontrar hoje.

Leia, reflita e permita-se continuar caminhando para dentro.

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