Ser Quem Realmente Somos: Por Que Tornamos o Simples Tão Complexo?

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É tão simples ser quem realmente somos

“É tão simples, mas pode parecer tão complexo, ser quem realmente somos. Isso acontece porque, na maior parte das vezes, não buscamos ser o que realmente somos, buscamos, sim, ser o que o outro quer que sejamos, e, é neste ponto, que tornamos algo simples, complexo.”

Talvez uma das maiores dificuldades que encontramos ao longo da vida seja justamente esta: ser nós mesmos.

Quando nascemos, não temos a preocupação de agradar, impressionar ou corresponder às expectativas de alguém. Não pensamos se estamos sendo aceitos ou se estamos fazendo aquilo que esperam de nós. Simplesmente somos.

Com o passar do tempo, porém, começamos a aprender que determinadas atitudes agradam, enquanto outras provocam rejeição. Aprendemos o que devemos falar, como devemos nos comportar e, muitas vezes, até mesmo aquilo que devemos sentir.

E, pouco a pouco, podemos começar a nos afastar de quem realmente somos.

Quando começamos a viver para agradar os outros

Desde muito cedo somos influenciados pelas pessoas que fazem parte da nossa vida.

Pais, familiares, professores, amigos, companheiros, colegas de trabalho e a própria sociedade possuem expectativas sobre nós.

Isso não significa que essas pessoas tenham necessariamente más intenções. Muitas vezes, elas simplesmente reproduzem aquilo que também aprenderam.

O problema começa quando passamos a acreditar que precisamos ser aquilo que esperam de nós para sermos aceitos e amados.

Então começamos a modificar nossa maneira de agir.

Falamos determinadas coisas para agradar.

Escondemos opiniões para evitar conflitos.

Aceitamos situações que não gostaríamos de aceitar.

Dizemos “sim” quando, dentro de nós, gostaríamos de dizer “não”.

Escolhemos caminhos que não necessariamente desejamos, mas que parecem mais adequados aos olhos dos outros.

E, sem perceber, podemos passar muitos anos tentando construir uma versão de nós mesmos que seja aceita pelo mundo.

A necessidade de aprovação

Existe uma diferença importante entre considerar a opinião dos outros e viver em função da opinião dos outros.

É natural ouvir conselhos, aprender com experiências alheias e considerar as consequências de nossas escolhas.

O problema acontece quando a aprovação externa passa a determinar quem somos.

Nesse momento, deixamos de perguntar:

“O que eu realmente quero?”

E começamos a perguntar:

“O que esperam que eu queira?”

Parece uma diferença pequena, mas pode mudar completamente a maneira como conduzimos nossa vida.

O preço de não sermos nós mesmos

Quando passamos muito tempo tentando corresponder às expectativas externas, podemos construir uma vida aparentemente adequada, mas que não necessariamente representa aquilo que existe dentro de nós.

Podemos ter o trabalho que os outros consideram bom.

A casa que os outros consideram bonita.

O relacionamento que os outros consideram perfeito.

A aparência que os outros aprovam.

As escolhas que parecem corretas para todos.

Mas, em algum momento, podemos olhar para dentro e perceber uma sensação difícil de explicar:

“Existe alguma coisa faltando.”

E talvez aquilo que esteja faltando sejamos nós mesmos.

Não necessariamente porque tudo o que construímos esteja errado, mas porque podemos ter deixado de participar verdadeiramente das nossas próprias escolhas.

A distância entre o eu verdadeiro e o personagem

Quando tentamos ser aquilo que os outros querem que sejamos, criamos uma espécie de personagem.

Esse personagem aprende a sorrir quando deveria sorrir, permanecer em silêncio quando deveria permanecer em silêncio e agir de determinada maneira para receber aprovação.

O problema é que sustentar um personagem exige esforço.

Ser quem somos, não.

É por isso que existe uma certa ironia na frase apresentada no início deste artigo: aquilo que deveria ser simples pode se tornar extremamente complexo quando tentamos ser outra pessoa.

Precisamos pensar no que dizer.

Precisamos controlar nossas reações.

Precisamos imaginar como seremos vistos.

Precisamos antecipar julgamentos.

Precisamos esconder determinadas partes de nós.

E tudo isso consome uma enorme quantidade de energia.

O autoconhecimento começa quando paramos de fugir de nós mesmos

Talvez o autoconhecimento não seja exatamente descobrir quem somos.

Talvez seja, em muitos momentos, retirar aquilo que colocamos sobre quem somos.

As expectativas.

Os medos.

As máscaras.

As necessidades de aprovação.

As crenças que recebemos sem questionar.

As histórias que construímos sobre nós mesmos.

Quando começamos a retirar essas camadas, podemos encontrar algo que sempre esteve ali.

Nossa essência.

E talvez seja justamente por isso que o autoconhecimento possa ser desconfortável.

Ele nos coloca diante de perguntas que nem sempre queremos responder.

Eu realmente gosto disso ou aprendi que deveria gostar?

Eu realmente quero este caminho ou estou seguindo aquilo que esperam de mim?

Estou fazendo isso porque faz sentido para mim ou porque tenho medo de decepcionar alguém?

Quem eu seria se não precisasse provar nada para ninguém?

Essas perguntas podem abrir portas importantes dentro de nós.

Ser autêntico não significa ignorar os outros

Ser quem realmente somos não significa fazer tudo o que queremos, independentemente das consequências.

Também não significa desconsiderar sentimentos, responsabilidades ou pessoas que fazem parte da nossa vida.

Autenticidade não é egoísmo.

Ser autêntico significa existir de maneira coerente com aquilo que sentimos e compreendemos como verdadeiro, respeitando também o espaço e a liberdade do outro.

Podemos mudar de opinião.

Podemos reconhecer nossos erros.

Podemos aprender.

Podemos amadurecer.

Podemos escolher novos caminhos.

Nada disso significa deixar de ser quem somos.

Pelo contrário.

Fazer mudanças conscientes também faz parte de sermos nós mesmos.

Talvez você não precise se tornar alguém diferente

Vivemos em uma sociedade que frequentemente nos transmite a ideia de que precisamos melhorar constantemente.

Precisamos ser mais produtivos.

Mais inteligentes.

Mais bonitos.

Mais bem-sucedidos.

Mais fortes.

Mais interessantes.

Mais alguma coisa.

E talvez, em meio a tantas tentativas de melhorar, acabemos acreditando que existe algo errado conosco.

Mas será que realmente precisamos nos transformar em outra pessoa?

Ou precisamos apenas compreender melhor quem já somos?

Existe uma grande diferença entre evoluir e tentar se encaixar.

Evoluir é ampliar nossa consciência.

É reconhecer nossas limitações.

É aprender com nossas experiências.

É abandonar aquilo que já não faz sentido.

É desenvolver novas virtudes.

Mas tentar se encaixar é diferente.

É diminuir quem somos para caber nas expectativas de alguém.

É abandonar nossa verdade para receber aprovação.

É trocar nossa essência pela aceitação.

A espiritualidade e o reencontro com nossa essência

Quando olhamos para a vida sob uma perspectiva espiritual, essa reflexão pode ganhar uma dimensão ainda maior.

Se acreditamos que nossa existência possui um propósito de aprendizado e evolução, talvez seja importante perguntar se estamos realmente vivendo nossa própria experiência ou simplesmente reproduzindo aquilo que o mundo espera de nós.

A evolução espiritual não parece depender de nos tornarmos aquilo que alguém deseja.

Ela passa, antes de tudo, pelo desenvolvimento da consciência.

E consciência exige presença.

Exige sinceridade conosco mesmos.

Exige coragem para olhar para dentro e reconhecer tanto nossas qualidades quanto nossas imperfeições.

Talvez nossa caminhada não seja uma busca para descobrir uma pessoa perfeita escondida dentro de nós.

Talvez seja o processo de aceitar quem somos enquanto aprendemos a nos tornar melhores.

E se ser você mesmo fosse mais simples do que parece?

Talvez a pergunta mais importante não seja:

“Como posso me tornar quem eu deveria ser?”

Talvez seja:

“Quanto de mim estou deixando de ser para conseguir agradar aos outros?”

Essa pergunta pode ser desconfortável.

Mas também pode ser libertadora.

Porque, quando percebemos que passamos muito tempo tentando atender expectativas externas, começamos a recuperar a liberdade de escolher.

Podemos descobrir que não precisamos agradar a todos.

Que não precisamos ser compreendidos por todos.

Que não precisamos justificar todas as nossas escolhas.

Que não precisamos viver uma vida que faça sentido para os outros.

Precisamos, antes de tudo, construir uma vida que faça sentido para nós.

E isso não significa abandonar ninguém.

Significa não abandonar a nós mesmos.

Talvez o caminho de volta seja para dentro

Ser quem realmente somos pode parecer complexo justamente porque passamos muito tempo olhando para fora em busca de respostas.

O que os outros pensam?

O que os outros esperam?

O que os outros aprovam?

O que os outros consideram certo?

Mas talvez algumas das respostas mais importantes da nossa vida não estejam fora.

Talvez estejam dentro.

O autoconhecimento nos convida a fazer esse movimento de retorno.

Um retorno para nossa essência.

Para nossos sentimentos.

Para nossas necessidades verdadeiras.

Para aquilo que acreditamos.

Para aquilo que desejamos construir.

E, principalmente, para a compreensão de que não precisamos representar um personagem para merecer nosso próprio lugar no mundo.

Ser quem realmente somos deveria ser simples.

O que torna isso complexo é tudo aquilo que colocamos entre nós e nossa própria essência.

Talvez a verdadeira transformação comece justamente quando deixamos de tentar ser aquilo que o outro quer que sejamos e começamos, pouco a pouco, a ter coragem de simplesmente ser.


Para continuar sua jornada de autoconhecimento

Se esta reflexão fez você olhar para dentro e questionar quanto da sua vida realmente representa quem você é, talvez seja interessante continuar essa jornada.

No Encontre o Seu Eu Interior, você encontrará outros textos sobre autoconhecimento, consciência, espiritualidade, evolução interior e os desafios que encontramos quando buscamos compreender nossa própria existência.

Não pare por aqui. Continue lendo outros artigos do blog e permita-se conhecer um pouco mais sobre aquilo que existe dentro de você.

Talvez a próxima reflexão encontre exatamente uma pergunta que você ainda não havia feito a si mesmo.

Afinal, conhecer o mundo pode ser uma grande aventura. Mas conhecer a si mesmo pode transformar toda a maneira como enxergamos a vida.

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